Ainda em cima de uma bicicleta arranjada com o meu pai, eu
pude ver um ângulo de Jussiape que não via fazia alguns anos. Os fins de tarde
em cidades do interior do Nordeste costumam ser bucólicos e preenchidos de lembranças
com gosto de fruta do mato. Principalmente de gente que tem história de calçada
e passou parte da infância pelas ruas repletas de casarios do século passado. O
sol se pondo com preguiça e dourando os contornos da igreja, o cheiro do verde
espalhado pelos canteiros e a vista dos morros, garantia a tranquilidade que
transborda nas pessoas destes lugares. O ritual de encontrar os amigos, tão
sagrado quanto a Ave Maria, religiosamente, tocada às dezoito no autofalante,
são miudezas que não se medem com régua, mas com o coração leve de quem coleciona
histórias de bancos de praça e de luas cheias.
