Não havia mais nada que eu pudesse fazer naqueles dias
estranhos. Em uma manhã tímida de inverno, o meu corpo ficou estirado por
algumas horas sobre uma relva recém-nascida entre um descampado verde e
insólito, e eu tentava encontrar algum sentido na vida. Mas, à noite, todas as
estrelas que se mantinham ofuscantes em um céu limpo me fizeram acreditar que
eu poderia voar entre elas; e quando eu abrisse os olhos, eu descobriria que pairava
em meio a um oceano de águas límpidas e calmas, repletas de seres mágicos incandescentes.
Eu sentia uma paz enorme invadir o meu peito e um branco cintilante tomou conta
da minha mente durante algum tempo.
Por alguns segundos que se pareceram eternos, eu conseguia
ver luzes de todas as cores explodindo ao meu redor e um turbilhão me lançava
para um espaço atemporal onde nada existia, senão minhas próprias vozes. Era
noite, e a floresta estava reluzente. Sentia uma energia tomar meu corpo e a
natureza tornara-se meu íntimo. O azul que cortava tudo que havia acima de
minha cabeça era tão forte que as poucas nuvens dançavam com a leveza de uma
brisa de verão.
Havia abandonado o que me causava dor e pude ver, então, que
a energia que move o universo é a mesma energia que há em mim [...].

