Confesso que me arde a pele quando tua voz me maltrata;
quando não me enche de alegria ao se dedicar a professar tais verbos [...].
Seria eu uma vítima de teus caprichos e desejos?
Há horas que me canso demais dele; mas aí, seu corpo chega e
me inebria de uma energia que não consigo descrever: é humilhante.
Eu me deitaria com tantas outras pessoas além de você; não com
única intenção de te esquecer, mas por deleite: pelo próprio ato de me entregar
aos desejos carnais, por querer aproveitar a vida, mesmo sabendo que nas horas
seguidas saberia eu que amor mesmo não vem de escolhas simples.
Já desisti outras tantas vezes, mas não sei o que acontece,
ele volta sempre mais retumbante. Não tem jeito, você e esses olhos oblíquos
[...].
[...] Mas o pensamento, o desejo, o coração e o ego insistem
em ecoar no vão que existe entre os nossos corações [...].
É pura química: toda vez que a pele toca, tudo volta e
ameaça a desabar.
Às vezes eu acho que ele sabe de tudo, e finge não saber por
medo, desejo ou outro sentimento qualquer.
Se nem ele, nem mesmo ninguém percebe o quão louco estou por
um trocar de lábios nesses dias que se seguem, não tenho culpa em destilar idiossincrasia
[...].
Eis o meu triste caso: eu tenho que continuar seguindo,
mesmo depois dele ter escolhido outro caminho: esta tem sido a regra da vida,
meu caro [...].


