Foto: Reprodução
As luzes do semáforo ofuscavam em perfeita harmonia com os
faróis dos carros que cruzavam a Avenida Otávio Santos, em pleno fim de tarde
de um inverno ameno no sudoeste baiano, combinavam perfeitamente com a ópera de
Bach, que tocava na rádio do carro de um amigo. Naquele momento, eu pude ver
iluminado um lugar que, por mais de um ano, foi o ponto de encontros de gente
heterogênea, mas unida por uma corrente invisível, traçada por alguma força
regente. Era ali onde aconteciam nossos jantares, cafés e momentos de
descontração. Algo me tocou e, em silêncio, alguns pontos foram ligados.
Naquele instante, eu pude perceber que aquela cidade, até então desconhecida
aos meus olhos, se tornara para mim um caminho alternativo, cheio de boas
surpresas e encontros inesperados. Pela primeira vez, admitia que gostava de
uma forma ainda estranha de Vitória da Conquista, chamada por muito tempo de
terras ermas por mim. O frio já tinha incorporado ao meu humor, assim como as
pessoas daquele lugar ao meu cotidiano. Eu já entendia a cidade. Hoje, vejo que,
talvez, eu tenha mais motivos para frequentar esse pedaço que se estranha
muitas vezes da Bahia. Vitória, você me Conquista!

