Li, certa vez, em um artigo científico que a parte da vida
em que somos mais propensos a sentirmos completos, felizes e contemplados com paz
de espírito é quando alcançamos os 30 e depois de chegarmos aos 60 anos.
Enquanto os piores momentos da nossa existência tendem a se reproduzir sempre aos
15, 25 e 40 anos – quando as crises existenciais mais avassaladoras se instauram
na gente. A conclusão dessa afirmação veio de um estudo baseado nas
experiências e, consequentemente, nas observações dos efeitos da maturidade em cada
um de nós ao longo da vida.
Aos 26 anos, depois de passar por experiências traumáticas, que
eu jamais imaginei que fosse viver em algum dia da minha vida, finalmente
entendi que a paz, que tanto almejamos, e a felicidade, esta difícil de descrever
pela ciência, advêm de conquistas e de simples aceitações. Depois de entender algumas
verdades impostas pelo universo e enxergar que o único modo de verdadeiramente
ser feliz é, antes de qualquer coisa, estar bem consigo mesmo, eu encontrei uma
enorme paz que não conhecia.
A dolce vita havia
se revelado aos meus olhos. Nada além do que a minha professora de inglês e
terapeuta, Lucia de Abreu, havia previsto para acontecer na minha vida. Ela
conseguiu antever os percalços pelos quais eu teria de passar no meu próprio caminho
para alcançar a doçura da maturidade. E isto incluía sofrimento, desilusões e a
busca incessante pela verdade. A melhor parte foi saber que ela estava certa o
tempo todo.
Nesse meio tempo, aprendi também uma palavra, uma espécie de
mantra, que poderia me ajudar a resolver os meus maiores problemas sem muito
esforço: foda-se! A primeira vez em que mandei um agravo existencialista à
merda, em voz alta, eu me senti como alguém que fosse perder um projeto construído
no centro da própria vida, que havia levado anos para ser erguido.
Era como se eu tivesse posto tudo a perder. Mas eu,
finalmente, tive coragem de apertar o botão FODA-SE!
Não duraram três minutos para que eu fosse inundado de amor próprio e de uma
paz espiritual que me deixaram sorrindo à toa por um longo tempo. A sensação
podia ser descrita como uma demissão do trabalho que você sempre sonhou, mas
havia descoberto que, na verdade, ele te deixava infeliz.
Naquele momento, eu só queria agradecer. Eu havia descoberto
um antídoto para a metade dos meus problemas. Desde então, me tornei uma pessoa
mais independente: viajava só; andava mais comigo mesmo na medida do possível,
praticava esporte sem a necessidade de uma dupla; e até ia ao cinema e a consertos
sem precisar da companhia de alguém, o que pode soar rebarbativo para algumas
pessoas.
Com o passar do tempo, fui colecionando episódios em que
tirei do meu bolso o meu mais revolucionário emplastro, o foda-se, e usei em doses homeopáticas, sempre com muita moderação.
Entre eles, estão alguns favoritos:
- deixei de me importar – ou preocupar – com gente que não
se esforçava em estar presente; ao invés disso, investi tempo em pessoas que
sempre tive vontade de conhecer, ainda que em sonho;
- realoquei as posições prioritárias que algumas pessoas
ocupavam em minha vida, depois de descobrir que eu não passava de um simples “brother”;
- descobri que não ter vergonha pode ser o caminho mais
rápido para a felicidade;
- parei de fazer questão em estar ao lado de quem só estava comigo
por mero acaso ou conveniência; fui atrás de quem sempre me viu como o par ideal
para alugar uma casa na praia e curtir o verão;
- ser indiferente, sem ser blasé, pode ser a forma mais
educada de mandar alguém à merda!
- e, por fim, aprendi que nunca devemos perder tempo com
pessoas que realmente não valem a pena. Elas são apenas um atraso para a manifestação
da nossa felicidade. Esse tipo de gente só serve para nos mostrar o quanto
estamos perdendo tempo com pessoas erradas. Acredite!, o mundo está repleto de
gente incrível que combina perfeitamente com a gente.
