Nós podemos dizer, sem medo de levar uma bofeteada,
que Embroda é a nossa Macunaíma jussiapense. A personagem que abdicou da moral
do seu tempo após conhecer a filosofia nietzschiana, em específico a teoria que
aborda o que o filósofo da suspeita chamou de niilismo, nada mais é do que a síntese
do povo destas terras.
A personagem que não serve a nada nem a ninguém se apresenta
como uma anti-heroína diacrônica, que utiliza o humor, as contradições, os
saberes populares para promover rupturas narrativas de tempo, espaço e a
própria composição de personagem; a ruptura linguística, que mistura o erudito e
o popular, o urbano e o regional, o escrito e o oral, contribui para o
estabelecimento de uma “fala jussiapense”.
A relevância de um texto que funde filosofia e relatos
de experiências vividas nos obriga a refletir criticamente sobre as posições da
personagem que se confunde com o narrador, pois se situa além do bem e do mal e
incita polêmicas e desdobramentos em todos os campos da sociedade, sobretudo com
muito prazer, deboche e sarcasmo.
Embroda se trata como uma personagem feminina, nascida
de um boato entre os morros de Jussiape, filha do barulho e do acaso, passa a
maior parte da sua infância nos anos de 1930, até se tornar popular por salvar
um pequeno povoado ao amamentar as pessoas com o próprio leite. Mais tarde é evocada
pela população do município nos primeiros momentos dos anos 2000 e desde então
se tornou uma cronista atemporal.
Veja a primeira crônica da mulher do fim do mundo publicada na Jussi Up.
