Fotos: Breno Santana/Laecio LacerdaHá mais de 16 anos nas coberturas de grandes shows, Assunção diz que não existe muito espaço para a distância confortável de quem observa tudo depois que as luzes se apagam. A matéria nasce entre uma apresentação e outra, no intervalo de uma entrevista, no barulho da plateia e, muitas vezes, em um lounge improvisado que virou escritório.
É preciso assistir, fotografar, anotar, ouvir, checar informações e, ao mesmo tempo, tentar transformar tudo isso em texto antes que o próximo artista suba ao palco. O jornalismo de festival tem essa urgência quase física: enquanto a gente escreve sobre o que acabou de acontecer, alguma outra coisa já está acontecendo.
E há também os perrengues. Nem todo bastidor é feito de credenciais, flashes e acesso privilegiado. Nas últimas edições do FIB, os fotógrafos não têm contado com um ponto realmente estratégico para registrar os shows. E aí entra aquela velha regra não escrita da profissão: tem que se virar. Procurar um ângulo entre o público, disputar espaço, improvisar posição e tentar fazer, com o que existe, a imagem que deveria ser possível fazer com uma estrutura adequada. Fotografia de show exige mobilidade, mas também exige condições mínimas de trabalho. Quando elas não existem, o improviso deixa de ser recurso e passa a ser rotina.
Nos bastidores, João Gomes ainda tentou entregar uma pequena “exclusiva” envolvendo Mestrinho. O cantor pernambucano brincou ao revelar uma resenha sobre um episódio curioso relacionado ao músico e uma suposta paixão que teria surgido em Vitória da Conquista. A história, contada em tom descontraído, acabou funcionando como uma dessas pequenas cenas que dificilmente aparecem no palco, mas que ajudam a construir a memória de um festival. Porque, no fim das contas, parte da graça de cobrir um evento como o FIB está justamente naquilo que acontece fora do roteiro oficial.
Também ouvi de alguns colegas da imprensa uma avaliação de que a apresentação de Zé Ramalho, primeira atração do palco principal nesta sexta-feira, teria sido um tanto seca. Eu, particularmente, discordo. Talvez tenha faltado uma experiência estética mais envolvente, daquelas apresentações que criam uma atmosfera quase hipnótica e fazem o público esquecer por alguns minutos que está em um festival. Mas Zé Ramalho entrega aquilo que promete: sua voz, seu repertório, sua persona e um conjunto de canções que já atravessaram gerações. O artista não parece interessado em disputar simpatia ou em fabricar uma euforia artificial. Ele simplesmente sobe ao palco e é Zé Ramalho.
Sobre a estrutura do FIB deste ano, há méritos que precisam ser reconhecidos. O atendimento da assessoria de imprensa tem sido acolhedor e, sobretudo, profissional, algo que faz diferença para quem passa horas trabalhando dentro do evento. A praça de alimentação também ganhou outra função: deixou de ser apenas um espaço para comer e se transformou em uma espécie de lounge da imprensa, quase um oásis para quem precisa sentar, respirar e recuperar as energias entre uma apresentação e outra. A conexão com a internet, outro detalhe fundamental para quem trabalha produzindo conteúdo em tempo real, também merece elogio.