Faz quanto tempo mesmo que gente se
tocou pela primeira vez? Cinco? Seis anos? Lembro-me que tínhamos poucos
minutos, e nossos lábios se arrastavam cansados de tanto esperar pelo encontro
dos nossos corpos ainda tão jovens. Havia uma pressa em nós, que fazia com que nos
tornássemos ávidos sonhadores de esquina.
Sua polidez afável misturada à ausência
das minhas habilidades sociais foi o ingrediente ideal para que a nossa
história sobrevivesse a tantos desencontros, surpreendesse com o fôlego do destino
e, por fim, perdesse a força da esperança que a mantinha viva.
Eu me esforçava para acreditar que nós
teríamos a chance de juntos fazer algo bonito na vida, ainda que fosse depois
do agora, mas cintilante de sentimentos verdadeiros. Eu continuo achando que
você se combina muito comigo, consigo enxergar suas mãos nas minhas e posso
sentir a ponta do meu nariz se arrastando pela sua nuca até encontrar os
primeiros fios do seu cabelo, mas ultimamente ando como um poeta sem fé, que
perdeu a inspiração para a sua falta de entusiasmo em nós, por mais que você
disfarce e use como desculpas todas as dificuldades encontradas na vida.
Escolher os passos que damos
seguidamente pode determinar onde estaremos a algum tempo. E é o que cada um de
nós tem feito desde a última vez que experimentamos nos arriscar em mais um
encontro que se confundiu com euforia, exaltação e um desespero recôndito. Enfim,
esta é a forma de me despedir sem mágoas. De encontrar a beleza no realismo
mágico da vida. Escrevo também para dizer que continuarei sentido ciúme de quem
te abraça ou desfruta do privilégio de ter o teu sorriso como recompensa.
De antemão, esclareço que não mantenho
expectativas de te encontrar em qualquer canto do mundo, avistando-o em um
suspiro romantizado. Longe disso. Entretanto sou imensamente grato e, desde já,
me considero um homem feliz por tê-lo eternizado em mim como uma das minhas
melhores experiências, manifestadas em breves intervalos esporádicos. Nós de
alguma forma demos certo. Apenas não rumamos para a mesma direção, não perdendo
de vista que somos os capitães da nossa própria vida.
Um beijo. Um abraço e um cheiro, demorado
e apertado, de quem te declara nesta carta.

