
Bem que esse queixume com prosa de sofrência pieguista poderia
se manifestar em qualquer outra época do ano. Mas não. Junho chegou, e o pior é
que estamos no Nordeste, onde, nesta época, o frio do céu estrelado faz o
coração ganhar vida própria e se aquecer, batendo mais forte, a procura de
outro coração perdido por este vasto sertão de amores incontidos em doses de cachaça.
Longe da sorte de ter a sina traçada pelo rei do baião, meu
velho Lula, em suas letras mais tenras e saudosas, eu sigo desvairado pelas
noites a ouvir castigos em formas de poesias em “como esquecer o beijo que você
me deu”, sem nem sequer ter ainda tocado em meus lábios. Ora, tem coisa pior
para quem não tem a quem esquentar a costela neste pedaço de chão que tem
cheiro de amor que vem chegando?
Parece não ter jeito, principalmente, para quem tem o amor
como inspiração. Para quem aprecia outro par de pés para esquentar, roçando no
cangote palavras de aprochego e ouvindo o vento bater no portão.
