Era um dia como outro qualquer, a não ser pelos sinais
que meu corpo emitia de que eu poderia desmaiar naquele hall, diante de um time
de bocas sorridentes e olhares oblíquos. Não sabia o que era dormir há quase 72
horas, e meu corpo necessitava de repouso imediato. Tentei driblar algumas
pessoas e continuei andando em direção à saída como se estivesse fugindo de um
alistamento militar às vésperas de uma guerra iminente. Inevitavelmente, uma multidão apareceu e veio em minha
direção me cumprimentar. Fechei os olhos por três segundos e respirei
acreditando que eu conseguiria aguentar de pé por mais algum tempo. Sem
disposição mental e nenhuma força física, eu segui sem perceber o que havia ao
meu lado, enquanto eu lançava o meu corpo para fora daquele lugar. Foi quando
ouvi meu nome e percebi que era uma voz que me trazia certa familiaridade, e que
acabara de ganhar certa aspereza com a idade. Sorri espontaneamente virando meu
rosto em direção a alguém que não via há meses. Era um velho amigo, e de certa
forma sua presença me alegrava. Ele sorriu da forma mais tenra que alguém se
manifestara comigo há algum tempo, e que não me recordo e em seguida, ele havia
comentado o quanto eu fazia falta em sua vida. Estendi meu braço para alcançar
seu ombro e fiz um carinho, como amigos de longas datas costumam fazer. Depois
de questionar o quanto eu estava ausente na vida dele, eu o abracei e disse que
sentia uma falta enorme de sua presença. Sorri e me despedi indo em direção à
rua (...). De repente, uma voz macia, mas aguda, grita ao fundo: Amanhã pela manhã eu passo lá. E, é bom que
você esteja acordado, se não eu mesmo vou lhe acordar, vei.

