Hoje, eu acordei mais solitário, mais
sozinho e comigo mesmo; levantei com disposição a amar a vida. Mas sem
necessariamente conjugá-la no plural. É que parece dar mais certo, na medida do
possível, seguir sem contar sempre com alguém (...). Extinguiram-se os afagos,
os calores, os cheiros e todas as tardes amenas. Decidi, então, viver um dia de
cada vez, mesmo que me custasse todo meu doce, toda minha esperança: queria ver
até onde eu conseguiria chegar. O segredo da vida, talvez, seja não se agarrar
a nada, se desprender de tudo de uma forma a contemplar a liberdade do seu
próprio espírito, mesmo sendo o exercício mais difícil do mundo, e, só então
assim, encontrar a verdadeira felicidade.

