Alunos do 7º ano do ensino fundamental II, da Escola Municipal Doutor Eraldo Tinoco Melo, em Jussiape, escreveram contos inspirados na famigerada história de “Romeu e Julieta do sertão”, do início do século 20. A produção dos contos é um projeto orientado pela professora Tamara Jardim. As histórias são acompanhadas por ilustrações feitas pelos alunos Sophia Luz, Maria Luiza Freitas e Ana Paula Rocha, sob a orientação da professora Marcelle Assunção.    


Aluna: Maria Luiza de Novais Freitas

Érico e Ercina: Uma História Trágica de Amor

Uma triste fatalidade, mais precisamente em 1927, ocorreu na então Fazenda do Gado, hoje nossa querida Jussiape. 

Ercina era uma jovem muito bonita, que encantava todos os rapazes da sua época. Érico também era muito belo e considerado por muitas um bom partido.

Naquela época, se envolver com pessoas de partido político contrário era motivo para um grande alvoroço, motivo esse, que ocasionou a tragédia conhecida como "Romeu e Julieta Sertaneja”.

Ercina quando jovem, apaixonou-se por Érico, porém o jovem casal não teve um final feliz. As famílias não aceitavam o romance e, mesmo com toda essa proibição, eles sustentaram esse amor proibido por um bom tempo.

Eles viviam um amor tão inquieto que num determinado momento Érico chamou Ercina para morrerem juntos. Ela se assustou com a proposta, mas ao ser questionada sobre todas as dificuldades, aceitou o pedido.  

No final da tarde do dia onze de setembro de mil novecentos e vinte e sete, Érico disparou contra Ercina que não morreu, porém ele não percebeu e de imediato foi para seu quarto onde tirou sua própria vida.

Ercina, logo depois, ingeriu soda cáustica, queria morrer junto com seu amado, o que aconteceu três dias depois. E apesar de tudo, no leito da morte, ela ainda pediu para ir ao velório dele.



Aluno: Nicolly Caires

Érico e Ercina

Uma linda história de amor, como a de Romeu e Julieta, aconteceu em Jussiape no ano de 1927. Daria um lindo filme, porém com um final triste e trágico.

Tudo começou quando a família de Érico, em 1900, veio de Rio de Contas para Jussiape. Seu pai se interessou pela economia que era movimentada pela compra e venda de gado. Um ano depois nasce Érico, já aqui na cidade. 

Naquela época também chegava à Fazenda do Gado, a família de Ercina. Vieram da Taboca, atual Município de Abaíra, fugidos por conta de uma desavença que seu tio brigão teve com um pessoal de circo. Há rumores que muitos tiros foram trocados e, para que a tragédia não fosse maior eles fugiram. 

Os anos foram passando, Ercina foi crescendo e logo começou a estudar na escola da professora Zuquinha.  Já Érico, tornou-se um rapagão bem faceiro e bonito. 

Antigamente era comum as pessoas se reunirem e fazerem eventos chamados de cavalhadas. Foi aí que Érico conheceu Ercina e se apaixonou à primeira vista. Começaram um namoro escondido, mas ao saber desse envolvimento, a família de ambos não aceitou.  Eles eram pessoas bem políticas, e cada um apoiava um grupo diferente, ocasionando muitas brigas e mal querências.

Ercina era completamente apaixonada por Érico, quando ela não o via ficava louca procurando e perguntando as pessoas, “cadê Érico?”. E quando ele aparecia, tratava logo de perguntar, “onde você estava?”.

Mas foi num sábado, 11 de setembro de 1927, às 14:00 horas da tarde e véspera da festa do Senhor Bom Jesus, na qual Érico dando conta de que esse amor proibido não poderia ser levado adiante, chamou a mocinha e propôs morrerem por amor. Ela então teve um espanto e perguntou, “mas como assim?”. Ele logo pôs-se a falar, “já que não podemos viver esse amor, nossas famílias não aceitam, morrendo acaba tudo”. Ela aceitou.

Naquele mesmo sábado, às 18:00 horas, embaixo de uma árvore chamada Flamboyant, de frente da casa de seus pais que Érico atirou contra Ercina. Ao cair e ainda viva, ela pediu que disparasse mais uma vez, mas ele não ouviu e entrou correndo em direção ao seu quarto. Enquanto isso, Josias que era filho de Mira, vendo o que seu amigo Érico havia feito, foi rapidamente atrás e ao entrar no cômodo, o abraçou e pediu para que não se matasse. Érico, com expressão muito séria, esbravejou, “me solte ou então serão três mortes, a minha, a sua e a de Ercina”. Josias então correu e se escondeu detrás de uma mala onde ouviu um tiro, muito assustado gritou: "Érico está morrendo!” 

Nesse instante toda a família entrou no quarto e quando Julinha irmã de Érico, o viu estirado no chão, implorou: "Meu irmão você vai morrer de mal comigo?”. Balbuciando, ele responde: “corte o Flamboyant do fundo e o Flamboyant da frente, pois eles trazem muitas recordações e termine de matar Ercina”. 

Após conseguir se erguer, Ercina corre para a casa de seu amado, entra no quarto toda ensanguentada, observa Érico morto por uns instantes e vai mesmo baleada em direção de um sobrado, no qual era uma padaria e pertencia a seu Zulmiro Dantas. Lá, ela pegou uma “cuia”, derreteu soda cáustica e bebeu.

Enquanto Ercina estava tentando o próprio suicídio, a família de seu Liobino, pai dela, e também a de seu tio, começaram a gritar, “Almeril Dantas, taboqueiro também é um”, alvejando os rivais. Jussiape virou cena de filme bang-bang.

No dia seguinte, a pequena moça, debilitada pelo sangue que perdeu e pela soda cáustica que bebeu, pediu a seu pai que a levasse ao velório de seu falecido namorado; e assim foi feito, sentada em uma cadeira, pediu que abrissem o caixão e ao ver o seu amado ali, morto, ela disse: “Não vou chorar muito, pois em poucos dias estarei junto com você e quero que me sepulte ao seu lado”. Três dias após, Ercina morreu.

Os corpos dos amantes estão sepultados na Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde, em Jussiape. 



Aluno: Breno Pires Vieira

Romeu e Julieta de Jussiape

Era uma vez duas famílias, a primeira natural do povoado Taboca (Abaíra) e a outra natural de Rio de Contas. Ambas vieram morar na Fazenda do Gado (atual cidade de Jussiape). 

Vinda de Taboca, uma linda e formosa jovem, Ercina, encantava os rapazotes da época. Antes de viver sua paixão com Érico, ela namorou Lauro.

E da parentela de Rio de Contas, nasce aqui, Érico, moço bonito, virtuoso e bem vestido. Considerando um bom partido por quase todas as moças da cidade, ele namorava com uma jovem chamada Odete, filha de Clemente.

O destino dos jovens Érico e Ercina se cruzaram, porém as suas famílias eram político e socialmente rivais, o assunto era muito fervoroso, ser de partidos contrários significava ser inimigos na vida e na morte.

Érico era um louco e apaixonado, mas como todos os homens tinha uma tendência ser boêmio, vivia nos bares da famosa rua do Fuça (Rua Bahia). Mas esse comportamento, não assustava a dama apaixonada, que possuía uma personalidade forte, empoderada e destemida para a época. Vivendo um romance proibido, eles se encontravam às escondidas, até que foram descobertos.

Já desesperado com tantos conflitos que o impedia de viver o seu amor, Érico chamou Ercina para morrer, ela levou um susto com aquela proposta de morte, então ele lhe explicou que sua família não a aceitava e, em meio aos fatos ela concordou.

Foi num sábado, no ano de 1927, às seis horas, embaixo de uma árvore que ficava em frente à sua casa que ele deu um tiro nela, porém não a matou, ela pediu para atirar novamente, mas ele não ouvindo, entrou em sua casa, foi para o quarto e se autodestruiu com um tiro.

Ercina sobreviveu, mas por lealdade ao seu amado ingeriu soda cáustica e morreu depois de três dias agonizando. Antes de morrer ela pediu ao seu pai para levá-la ao velório de Érico. Foi em uma cadeira, chegando lá ela disse ao seu amor que não ia chorar muito, porque em poucos dias ela estaria com ele, pediu também para ser sepultada junto.                                                               

Com todo o ocorrido as famílias duelaram em plena Praça como em filme de faroeste. E essa foi a trágica história de amor entre Érico e Ercina. Seus restos mortais estão sepultados na igreja Matriz de Jussiape.

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