Jussiape atravessa nos últimos dias, talvez, o pior momento da sua crise de saúde, instaurada pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus. Com 3 mortes e mais de 150 infectados, a pandemia avança em ritmo acelerado dia após dia, acumulando novos contágios e pacientes internados.

Se por um lado, os decretos do prefeito Éder se revelam, muitas vezes, inócuos, sem a menor capacidade de vigorarem com o mínimo de autoridade capaz de impedir abusos negacionistas e excessos em meio à pandemia, por outro lado, há uma parcela da população que se mostra pretenciosa e despreocupada com os riscos que o vírus já provou ser capaz de produzir diretamente na saúde pública do município.

Se as mortes em circunstâncias inesperadas em si já são motivo suficiente para causar um pesar que não pode nem sequer ser mensurado, ser impedido pelo vírus de enterrar um ente querido expande e intensifica a angústia e o desespero do luto. Essa é apenas uma das facetas de um panorama catastrófico que passou a pertencer à realidade de conterrâneos jussiapenses, antes retratado apenas pela grande imprensa como casos que ocorriam em lugares distantes do país.

Uma soturna sombra de desespero e desalento encobre Jussiape, que se apoia em uma estrutura pública deficitária nos diferentes âmbitos do Estado. O único hospital da cidade, a Casa de Saúde Ana Medrado Luz, não possui suporte adequado para atender a pacientes nos estados mais graves da doença e passa neste momento por uma das fases da reforma, iniciada em 2020, que compromete qualquer eficiência no enfrentamento à pandemia.

O hospital, que funciona atualmente na antiga residência do prefeito Procópio Alencar, não dispõe, por exemplo, de leitos suficientes e de pontos de oxigênio, como apontado por uma especialista de saúde consultada pela Jussi Up, além de não cumprir o distanciamento necessários e impossibilitar a separação adequada entre pacientes suspeitos e acometidos por outras enfermidades. Outro gargalo com que a saúde tem lidado é a escassez de profissionais destinados exclusivamente aos cuidados de pacientes infectados.

Em meio a um turbilhão de notícias desfavoráveis à vida, a vacina se tornou a única esperança tangível e palatável para que milhares de jussiapenses possam voltar a acreditar em um retorno à rotina sem medo e longe da distopia vivida por meses.

Enquanto doses irrisórias de imunizantes chegam ao município, é imperativo que a população se proteja e mantenha o isolamento social – aqueles que desfrutam do privilégio de poderem se distanciar e evitar aglomerações, por ora, deveriam se resguardar do risco do contágio, colaborando com a saúde coletiva.

No entanto, é esperado da Prefeitura Municipal de Jussiape satisfação do que se tem feito e das decisões tomadas em prol do combate à disseminação da doença.

O governo Éder, apesar dos acertos no início da pandemia, age – na maior parte da crise – sob a égide do improviso, acarretado pelo peso das consequências das falhas da gestão municipal. Espera-se, ainda a tempo, um plano mais eficiente de contenção da Covid-19, que responda ao aumento alarmante da disseminação do vírus no município.

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