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Apesar de niilismo e liberdade essencialmente pertencerem ao escopo de uma discussão filosófica, eu traço uma pequena linha de raciocínio que oferece mais uma tentativa de conceituar sentimentos (ou mesmo conceitos) tratados pelo filósofo da suspeita.

A priori, quando se fala em niilismo, é comum entender que se trata da negação de quaisquer valores, sentidos, em especial o abandono da moral construída pelo homem ao longo da história da humanidade. No entanto, Nietzsche leva o termo para um caminho diferente, se referindo a ele como uma negação da vida –, mas não a vida como conjunto de impulsos, porém como caminho predeterminado.

O niilismo como emprega o site Colunas Tortas deve ser a negação da vida como dominação, violência, afirmação de si, exercício da força”. É preciso “se desligar do rebanho e se individualizar, é enfrentar o mundo de peito aberto e não se enganar com falsas crenças, é amar o mundo do jeito que ele é – se propondo ao conceito de amor fati.

O niilista é aquele que não acredita em valores que não se confirmam na realidade, é quem não deixa de viver o agora em favor de uma suposta vida futura (em um paraíso). Daí vem as implicações de Nietzsche sobre o mundo ideal, platônico. Segundo Giacoia Junior, o niilismo pode ser visto como resultante da crença nas categorias da razão.

Um leitor definiu bem o conceito de liberdade em Nietzsche ao revelar ser uma “representação trágica de mundo, uma vez que a identifica como sendo produto da vontade de potência do homem, uma espécie de luta entre as forças constituintes do corpo e da alma, na medida em que este se desprende de todas as amarras ideológicas e niilismos convencionais, que visam afagar a inexorabilidade da finitude humana com estratagemas pobres, escravizadores e falhos.

“A liberdade para Nietzsche é se jogar no abismo e aproveitar a queda, é dançar entre Apolo e Dionísio, é contemplar a contradição sem levantar verdades mesquinhas e decepadora dos afetos. Desta forma, liberta-se significa, no final das contas, investir contra a ‘vida’ na exata medida de sua amabilidade, sem predispor de qualquer elemento ou muleta que lhe lance em um ciclo engessado de dominação. A liberdade, para este autor, é uma declaração a favor da vida na exata medida de sua visceralidade”, pontua.

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