O ato de repetir, repetir, repetir e repetir palavras se torna algo que compromete a estética textual e causa no interlocutor uma confusão, que poderá deixá-lo sem entender o que foi escrito. Mas quando repetir pode ou não pode? E, afinal de contas, quando redundância e pleonasmo são sinônimos e quando não?

A repetição de ideias
Há muita gente que se dispõe a apontar que repetição de palavra ou de ideias não podem ocorrer no texto. Mas ainda que se possa admitir que são sinônimos sob alguns aspectos, redundância e pleonasmo nem sempre têm o mesmo significado. Pleonasmo não é somente um nome menos conhecido para a redundância.

A redundância
O exemplo que acirra a discussão é o seguinte: João pegou a escada e subiu para cima do telhado. Não é somente um “subiu pra cima”, quem sobe já sobe pra cima. Mas teve uma separação. João subiu (para) (cima do telhado). A regência do verbo subir aí pode ser em, a ou para.

Agora o pleonasmo
Como já foi dito, há casos em que se pode considerar pleonasmo como um sinônimo de redundância. Sobre isso, não há mais necessidade de explicar. Todavia, é bom lembrar que há o pleonasmo necessário. Eu mesmo nem considero o exemplo acima (pra cima do telhado) como redundância ou pleonasmo. Até parece que é, mas, na separação dos termos, fica evidente que não o é.

Pleonasmo, então, é, tecnicamente, uma figura de linguagem. É tratado na linguística e na literatura como uma forma legítima de comunicar no sentido de reforçar uma ideia, a despeito da repetição de alguns termos. Nesse caso, então, não há desperdício ou excesso de sentidos, o que causaria incompreensão. Ao contrário, o pleonasmo serve para dar força ao que está sendo expresso, ou mesmo mais clareza. Por exemplo: “Vi com estes meus olhos que a terra há de comer”.

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