Foto: Will Assunção/JUP

Durante os tradicionais festejos de São João, Mucugê costuma dobrar o número da população com os cerca de dez mil visitantes que chegam à cidade. Os 1,8 mil leitos de 28 pousadas formais ficam completamente lotados, sem contar as aproximadamente 200 casas alugadas. No entanto, neste ano, o que a cidade deseja é que não apareça ninguém de fora.

Mucugê não é a única cidade turística que não deseja receber turistas no São João deste ano. Segundo reportagem do Correio, pelo menos outras quatro cidades não querem que visitantes no São João: Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim são cidades que realizam os tradicionais festejos juninos.

“Alô, turistas e visitantes! Mucugê te ama, mas espera por você num outro momento”. É assim que começa um comunicado emitido pela prefeitura nas redes sociais. Só no ano passado, a festa popular movimentou cerca de 5 milhões na economia da cidade para um investimento de R$ 500 mil da prefeitura.

“Não é um São João de atrações caras e, sim, tradicional. Por isso, o investimento não é tão alto. Isso começou a chamar a atenção de muitas pessoas que movimentam a economia, desde o posto de gasolina até o bar da esquina. O turismo já representava 10% do PIB da nossa cidade”, explicou o secretário de Administração e Finanças Euvaldo Ribeiro Junior.

Em 2020, Mucugê investiu em campanhas educativas e preventivas, e fechou todo o setor de hospedagem, proibiu que se acendam fogueiras e soltem fogos e instalou uma barreira sanitária na entrada da cidade para monitorar quem chega.

“Tudo isso desestimula o turismo, mas não proíbe que as pessoas que tenham casas na cidade venham, por exemplo. O que podemos fazer é fiscalizar para que esses visitantes, se vierem, fiquem em quarentena”, disse o secretário.

Segundo o último boletim epidemiológico do município, Mucugê possui quatro casos de coronavírus, todos já curados, e nenhuma morte.

FOGUEIRA
As cidades citadas estão desestimulando as fogueiras não só pela possibilidade de aglomeração que existe, associada à tradição, mas pelo perigo que a inalação da fumaça causa no organismo.

“O cheiro da combustão dos fogos de artifício e a fumaça causam irritação nas vias aéreas, podendo desencadear mecanismos biológicos que facilitam a entrada do covid-19 no organismo ou agravar o quadro de pacientes que já estejam infectados”, explicou Patrícia Bagano, médica clínica da S.O.S. Vida.

Ela ainda destaca o perigo da sobrecarga no sistema de saúde por causa disso. “Nesse período do ano, as emergências costumam receber muitos pacientes com sintomas respiratórios. Se os prontos atendimentos estiverem lotados devido aos casos da Covid-19, como ficará a assistência dos outros pacientes com sintomas respiratórios?”, indagou.

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