BÁRBARA NEVES


Podemos dizer que a função do gerúndio é fazer papel de núcleo adverbial para denotar circunstâncias diversas, outros também concordam que sua função adjetiva também é cabível, mas, se há algo com o qual todos os gramáticos concordam é que adotá-lo a todo momento pode produzir uma série de mau gosto, de acordo com Bechara.

Para Bechara, “gerúndio figura com a ideia muito acentuada de tempo transitório, servindo de atribuir um modo de ser, uma qualidade, uma atividade a um nome ou pronome, mas apenas dentro de certo período e em determinada situação. Assim, água fervendo e água que naquele momento fervia ou fervia dentro de certo espaço de tempo”.

Nos casos de gerundismo o tempo da ação é o futuro contínuo, que é indicado para ações duradouras, ou seja, não devemos usá-lo em casos concluídos em apenas uma ação.

“Não que a construção “ir + estar + gerúndio” não possa ser usada. Ela sempre será legítima quando estiver atrelada a outra ação situada no tempo”, preconiza Bezerra.

“Não se preocupe, pois vou enviar seu recado para o meu chefe”.
(Faz referência apenas à ação.)

“Não se preocupe, pois vou estar enviando seu recado para o meu chefe”.

(Além da referência à ação, refere-se também ao tempo de duração da ação, dando a ideia de é necessário buscar tempo para o cumprimento da ação, como encontramos na nova gramática da língua portuguesa).

Mas, afinal, quais os casos em que podemos usar o gerúndio de forma correta?

a) Para expressar ideias ou ações que acontecerão ou aconteceram simultaneamente:

Na semana que vem, quando você estiver viajando, eu estarei me preparando para a prova.

b) Em ações contínuas que não apresentam conclusão:

Eles estavam viajando sem destino.

c) Para ações que ainda não acabaram:

Não posso comparecer a esse horário, vou estar viajando a trabalho.

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