Foto: Soraia Assunção/JUP

Na noite de sábado (11), um grupo se reuniu na casa de Elodi Damascena para homenagear uma tradição que foi mantida pela família Damasceno em Jussiape, mas que após a morte de integrantes foi extinguida. A tradição não conseguiu ser mantida pela família na geração seguinte e atualmente reside na memória da cultura imaterial local.

A manifestação de Santo Reis ocorre desde a primeira metade do século 20 no município, segundo a especialista em ecoturismo Soraia Assunção. O terno de reis de Justiniano José Damasceno, nascido em 1900, é uma consequência de uma tradição passada de pai para filho, trazida ao município graças aos ensinamentos de seu pai Celestino José Damasceno, explica Assunção à Jussi Up.



Surgido na década de 1940, o grupo intitulado Minerva de Justino teve integrantes como Francisco Damasceno, Anísio Dias de Oliveira, Ascendino José da Silva, que tocavam instrumentos como gaitas feitas de taquara – espécie de bambu da caatinga – a zabumba e a caixa, feita com casca de jatobá e coro de ovelha, descreve a especialista em sua pesquisa feita para a Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Elodi Damascena, com mais de 70 anos, que integrava o grupo de reisado tido como o mais tradicional do município como uma das cantoras, recebeu convidados em sua casa para a homenagem. Maria do Carmo Damascena, Osvaldina Damascena, Sebastiana Damascena e Maria Zilda Damascena também emprestavam suas vozes ao reisado.

Para Soraia Assunção, essa manifestação cultural “já acontecia desde o século passado com frequência e participação popular. Hoje em dia, as manifestações consideradas culturais para o nosso município perderam espaço. As apresentações de Terno de Reis que aparecem no nosso município, considero como renovadoras e estilizadas, mudam a tradição em que os instrumentos não são a zabumba de couro de animais ou cascas de árvores. A gaita de pífano, por exemplo, foi substituída pela gaita doce etc. E estão incorporando outros instrumentos como a sanfona. Essas manifestações tradicionais em Jussiape vão perdendo força e se extinguindo Vale ressaltar que preservar as tradições culturais é manter viva a identidade, a memória e a história de seu povo.”


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