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Sujeito duplo: o uso do sujeito pronominal


Segundo a gramática tradicional (normativa), em língua portuguesa, o uso do sujeito pronominal explícito pode ser dispensado, uma vez que as marcas de flexão do verbo já identificam a pessoa do discurso, devendo, inclusive evitar a opção por sujeitos pronominais, pois constituem um mau estilo.

Estudos gerativistas, no entanto, vêm apontando, com base em observação de dados espontâneos do português brasileiro, que sujeito nulo vem decrescendo. Na verdade, um novo tipo de construção começa a tornar-se frequente: trata-se do sujeito duplo, conforme exemplo dado por Berlinck, Augusto e Scher. (apud MUSSALIM; BENTES, 2005):

Diadorim, ela entregou o facão para Riobaldo;
Meu sogro coitado ele fez tanta coisa na vida;

O sintagma nominal Diadorim aparece em posição de ênfase e estabelece relação com a oração toda. Esse termo ocupa a função de tópico, pois na fala faz-se uso de uma pausa logo após Diadorim, típica dos contextos de topicalização.

Podemos também ter sujeito duplo em sentenças em que os pronomes são duplicados:

Você, ‘cê’ disse que ‘cê’ ia pra casa.

Aqui ocorre o princípio do paralelismo linguístico, que consiste na repetição da mesma forma linguística.

O sujeito nulo é o que não surge na frase e tem três subtipos:

1 – O sujeito nulo subentendido, estando implícito na forma verbal; por exemplo, «ando de comboio». Nesta frase, apesar de o sujeito não aparecer, ele pode ser facilmente identificado («eu»).

2 – O sujeito nulo indeterminado; não sabemos quem é ou o que é. Por exemplo, «fizeram alguma coisa?».

3 –E, por fim, o sujeito nulo expletivo que surge em verbos meteorológicos e nalguns casos com o verbo haver. É também designado inexistente: «chove e troveja»; «há muito tempo».