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Ex-assessor de Procópio Alencar guarda última receita emitida pelo médico

Foto: JUP

William Assunção, ex-assessor de imprensa de Procópio Alencar, morto na tragédia de 24 de Novembro, em 2012, guarda o que acredita ser a última receita emitida pelo médico pouco antes de ser alvejado. “Uma das últimas pacientes atendidas por Procópio Alencar no consultório, que ficava ao lado da casa dele, no dia da tragédia havia levado consigo uma receita emitida pelo médico, e eu a guardo comigo já há algum tempo”, disse.

Assunção se debruçou sobre a tragédia para um estudo para a sua pós-graduação em Comunicação no Instituto Juvêncio Terra no mesmo ano do evento trágico.

O editor e fotógrafo sênior da Jussi Up defende que o episódio de 24 de Novembro deva ser discutido amplamente para que seja entendido e superado. Para o editor, todos precisam compreender o ocorrido para que a tragédia nunca se repita.

Ele pontua que entender requer clareza e razão, pois a emoção deve ser isentada no momento da apuração. “Toda tragédia deve ser relembrada, estudada e tratada com seriedade além de entendida e analisada pela lente do jornalismo, pois pertence à história da humanidade”, pontuou. “É dever do jornalismo quebrar tabus e desmistificar certos paradigmas que ganham força no desfecho da própria história”, defende.

Em 2015, a Jussi Up produziu um especial, que traz uma retrospectiva sobre o atentado, caracterizado por uma série de ataques, que deixou quatro pessoas mortas, e outras três feridas após o atirador Claudionor Galvão de Oliveira alvejar três pessoas do grupo político liderado por Procópio Alencar além de deixar feridos dois policiais militares.



VÍTIMAS
Há mais vítimas no evento trágico de 24 de Novembro do que se supõe”, defende Assunção. Para o ex-assessor de imprensa do prefeito Procópio Alencar, umas das vítimas do atentado, os dois filhos de Claudionor Galvão de Oliveiraautor dos disparos –, se tornaram “vítimas invisíveis” da tragédia.

“As maiores vítimas, se é que posso dimensionar situações distintas, foram evidentemente aquelas que perderam suas vidas e entes queridos no ocorrido em 2012. E, contra o senso comum, devem ser incluídos neste quadro os próprios filhos do atirador”, pontua Assunção.

“É evidente que a comunidade carrega um trauma. O evento está incrustado na história recente do município e, por conta disso, a população segue com certos estigmas e cicatrizes repletas de dor”, conclui o especialista.

Como especialista e estudioso do evento que batizou de 24 de Novembro, ele acredita que o episódio e a repercussão foram acompanhados por um forte sentimento de emoção, o que dificulta a apuração e o entendimento da tragédia.

Assunção acredita que o senso comum atrapalha o “enxergar” de peculiaridades minuciosas e profundas que caracterizaram o atentado. “Evidências ainda estão enterradas no processo cristalizador de narrar a própria história”, pontua. “No momento de se discutir o atentado, a racionalidade deve estar presente sempre”, afirma.



VÍTIMA ALGOZ
O editor da JUP acredita que a grande imprensa realizou, pelo menos no primeiro instante, uma cobertura sensata, sem traços emocionais e sensacionalistas. Embora a própria imprensa, na época, não tenha explorado o perfil dos envolvidos no atentado, como o comportamento violento e pouco amistoso de Claudionor Galvão – personagem caracterizada por ter sofrido bullying após a vitória nas urnas do seu opositor. O responsável pelas ações é apresentado, por parte da imprensa, como vítima algoz, ícone de um grupo de correligionários, que sofreu retaliações após o período das eleições municipais que elegeu Procópio Alencar como o novo gestor municipal. Sem mesmo saber os reais e diversos fatores que levaram a tragédia, boa parte da imprensa abarcou este mote, sintetizando o que foi exposto por parte da mídia brasileira.