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Adson Muniz é condenado a mais de 59 anos de prisão por estupro

Foto: Will Assunção/JUP

O ex-vereador de Jussiape, Adson Muniz, que se passou por um agente policial e ganhou repercussão nacional ao ser preso sob suspeita de ter cometido uma série de ataques sexuais contra pelo menos 26 mulheres em bairro nobre da capital paulista, foi condenado pela Justiça por estupro e roubo à nove vítimas. No entanto, a decisão ainda cabe recurso, segundo apurou o G1 e a TV Globo.

Adson Muniz Santos recebeu penas que somadas totalizam 59 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelos crimes praticados contra mulheres entre os anos de 2016 e 2017. As informações são do Tribunal de Justiça (TJ) e da defesa do ex-vereador, que sempre negou todas as acusações. No entanto, especialistas ouvidos pela Jussi Up ressaltam que pela lei brasileira ninguém pode ficar mais de 30 anos preso.

Das nove condenações contra Adson, seis são por estupros, sendo que algumas delas ainda têm roubo, extorsão, sequestro e abuso de poder. As outras três condenações foram por importunação sexual, ameaça e falsidade ideológica.

Adson ainda foi absolvido de uma acusação de estupro e teve ao menos um dos casos arquivados, segundo sua defesa. Uma das condenações por estupros teria saído em abril deste ano, de acordo com o G1.

Ele recebeu pena de 9 anos por estupro e abuso de poder, crimes que teria cometido em 22 de dezembro de 2016 contra uma mulher na capital paulista.

Outra condenação foi confirmada em outubro de 2019 que consistiu em 18 anos e seis meses por estupro, roubo e extorsão. Adson Muniz foi acusado de atacar outra mulher nos Jardins, no dia 6 de outubro de 2017.

Defesa e acusação
À Justiça e à imprensa, Muniz sempre negou as acusações. Chegou inclusive e alegar transtorno mental e pediu tratamento para se “curar”. Por decisão da Justiça, ele passou por cinco exames psiquiátricos, mas todos os resultados dos testes o consideraram imputável, ou seja, tinha consciência da gravidade dos crimes quando os cometeu, sendo julgado posteriormente como um criminoso normal e não um doente mental.

No segundo caso, se fosse considerado inimputável, ou seja, se não tivesse consciência dos seus atos, teria de receber tratamento num hospital psiquiátrico.

Procurado pelo G1, o advogado de Adson, Ariovaldo Stella Alves Filho, reforçou a versão de que seu cliente continua negando todos os crimes e que o sexo com as mulheres e dinheiro que pegava delas foram consentidos.

Ele [Adson] alega que tudo o que acontecia [o sexo com as mulheres e o dinheiro delas] era de forma voluntária”, disse Ariovaldo. “Atualmente, o senhor Adson Muniz Santos não possui sentenças transitadas em julgado, ou seja, tecnicamente falando ainda é considerado inocente pelas imputações de crime ofertadas contra ele”.

Ainda de acordo com o advogado de Adson, os recursos que a defesa impetrou nas instâncias superiores da Justiça poderão anular as condenações. “Acredito que a verdade real deve sempre ser apresentada, independente se será ao juiz ou ao público.

Segundo as acusações feitas pelo Ministério Público (MP) contra Adson, ele abordava as vítimas e cometia os crimes contra elas quase sempre da mesma maneira, se apresentando como policial federal e produtor de TV.

Para isso, de acordo com o MP, exibia credenciais falsas para ameaçar e enganar as mulheres. Depois, de acordo com a denúncia, mostrava uma arma, também falsa, para ameaça-las e obriga-las a fazer sexo com ele. Em seguida roubava seus celulares, relógios e joias. Ainda exigia que elas sacassem dinheiro em caixas eletrônicos e o dessem.

Adson foi acusado de atacar 26 mulheres, tendo nove condenações por crimes contra elas, sendo seis por estupro nos casos.

O que diz a vítima
Ele [Adson] ainda tem os outros casos todos que esperamos que ele seja condenado. Porque é um criminoso”, disse ao G1 o advogado Daniel Bialski, que defende uma das vítimas do falso policial.

A vítima, que não teve o nome divulgado, contou no processo que foi estuprada e roubada por Adson em 6 de outubro de 2017. Um vídeo gravado por câmera de segurança mostra o momento da abordagem dele ao veículo dela.

Segundo a vítima, após fingir ser policial federal, usando um documento falso, ele parou o carro, entrou, mostrou uma arma, que só depois soube ser falsa, e exigiu que os dois fossem a uma delegacia porque ela tentou matá-lo. Durante o trajeto, a beijava e exigiu que o masturbasse e fizesse sexo oral nele. Depois, continua a mulher, o abusador acariciou seus seios e genitália.

Ela ainda relatou que Adson a obrigou a sacar R$ 1 mil de um caixa eletrônico e dar ele, que pegou o relógio, brincos e colar que usava. Posteriormente, o homem falou que os dois iriam a um motel para transar e assumiu o volante do carro da vítima, que decidiu saltar do automóvel quando este parou num semáforo. A mulher saiu correndo e pediu ajuda em um bar. O agressor abandonou o carro e fugiu a pé.

Adson foi preso pela polícia cinco dias depois do crime. “É um maníaco. É alguém que abusava da inocência das mulheres e usava de graves ameaças, com simulacro de arma de fogo, dizia que era da polícia para poder se aproveitar”, afirmou o advogado Bialski.

Perfil do acusado
Nascido há 36 anos em Livramento de Nossa Senhora, o baiano Adson não tinha passagens criminais até vir a São Paulo. Na capital paulista começaram as acusações contra ele. De 2016 a 11 de outubro de 2017, quando foi preso, 26 mulheres o reconheceram como o homem que as violentou sexualmente e as assaltou.

A polícia recebeu diversas vítimas de estupro, roubo, sequestro, extorsão e falsidade ideológica, crimes que teriam sido praticados contra elas por um homem que se apresentava como produtor de TV e policial federal. Fotos dele foram divulgadas e compartilhadas por elas nas redes sociais para ajudar a identificá-lo.

À época, o homem em questão foi identificado pela polícia como Adson Muniz Santos, suplente de vereador por Jussiape, na Bahia. Com o ensino médio completo e solteiro, ele pretendia ser presidente do Brasil um dia, segundo seu Instagram.

Vídeos gravados por câmeras de segurança de um hotel e de um estacionamento mostram o momento em que Adson aborda, respectivamente, uma candidata a atriz, e uma motorista. Os casos ocorreram nos dias 2 e 6 de outubro de 2017.