Foto: Will Assunção/JUP

Adson Muniz Santos, 36, recebeu penas que somadas totalizam 59 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelos crimes praticados contra mulheres entre os anos de 2016 e 2017. As informações são do Tribunal de Justiça (TJ) e da defesa do ex-vereador, que sempre negou todas as acusações. No entanto, especialistas ouvidos pela Jussi Up ressaltam que pela lei brasileira ninguém pode ficar mais de 30 anos preso.

O ex-vereador de Jussiape, que se passou por um agente policial, foi condenado pela Justiça por estupro e roubo à nove vítimas. No entanto, a decisão ainda cabe recurso, segundo apurou o G1 e a TV Globo.

Adson Muniz também foi alvo de uma ação de indenização por dano material, movida por uma advogada, no valor de R$ 100 mil.

Figura controversa, o ex-vereador chegou a afirmar a algumas vítimas que era integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Muniz também nutria admiração pelo presidente polêmico dos EUA Donald Trump. Em seu perfil no Facebook, Adson Muniz exprimia afinidades com as ideias de Trump.

Adson Muniz se candidatou ao cargo de vereador pelo menos duas vezes antes de conseguir se eleger membro do Legislativo do município de Jussiape, em 2012. A primeira, em 2004, pelo Partido Popular Socialista e, a segunda, em 2008, pelo Partido Democrático Trabalhista. Seu único mandato como político brasileiro durou de 2013 a 2016, completando os quatro anos de serviço público como um parlamentar pelo Partido Republicano Brasileiro. Nas últimas eleições municipais, em outubro de 2016, Muniz tentou se reeleger, mas não obteve êxito nas urnas.

Em 2010, Muniz ousou ser candidato ao cargo de deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista, mas, novamente, não alcançou o número de votos suficientes para se eleger. Em 2014, enquanto ocupava uma cadeira na Câmara de Vereadores de Jussiape, Muniz exibiu suas ambições ao se candidatar a uma vaga no Congresso Nacional pelo Partido Republicano Brasileiro. No entanto, Adson não conseguiu o resultado esperado para se tornar deputado federal, obtendo no total de 478 votos (0.01%). Em 2016, ao ser derrotado nas urnas, ele se tornou suplente de vereador pelo PRB.

Classificado como “predador sexual” pela delegada Christine Nascimento Guedes Costa, o ex-vereador Adson Muniz Santos é de Caraguataí, distrito de Jussiape. O número de mulheres abusadas por Muniz aumentou a cada dia, contando com casos envolvendo o ex-vereador nos estados de Goiás, Rio de Janeiro e Bahia foram registrados pela polícia.

Em 2013, o irmão do ex-vereador Adson Muniz foi preso na BR-251, na cidade de Montes Claros, no norte do Estado de Minas Gerais, após ser detido pela polícia em uma caminhonete com placas falsificadas e registro de roubo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), A.M.S., como foi identificado o irmão de Muniz, estava em uma caminhonete Strada e foi parado ao passar pelo km 515 da rodovia.

Ao consultar a placa do veículo, os policiais descobriram que elas era falsa e que o registro verdadeiro constava na polícia após um roubo em janeiro deste ano em São Paulo.

Em abril de 2014, à época vereador do município de Jussiape, Adson Muniz disse à Jussi Up que foi vítima de um sequestro relâmpago na capital baiana enquanto se divertia com amigos pelo bairro do Rio Vermelho.

O ex-vereador disse que suspeita de ter sido seguido pelos sequestradores enquanto ia em direção a um restaurante no bairro onde aconteceu o sequestro. Muniz afirmou que sofreu agressões físicas e ficou desacordado por horas. Ao recuperar a consciência, já em um hospital particular na cidade, ele afirmou não se lembrar de detalhes do crime. “Levei muita porrada, meu rosto está todo inchado. Quando eu acordei, eu já estava no hospital”, disse.

Na primeira versão, o vereador disse que cerca de U$ 20 mil dólares, que haviam sido sacados recentemente da sua conta, além de mais R$ 2 mil reais, que já estavam em sua posse, foram levados. Adson Muniz ainda explicou que algumas pessoas que o acompanharam naquele dia podiam estar envolvidas com o crime. Um dia depois da sua declaração, Adson Muniz mudou a versão da história.

Muniz se contradisse ao afirmar que os dólares foram arranjados por um amigo e entregues aos sequestradores. Muniz exibiu um relatório de alta emitido pelo Hospital Aliança, em Salvador, confirmando o diagnóstico de trauma superficial na cabeça, logo após, segundo Muniz, ter sido vítima de um sequestro relâmpago.

Nas eleições de 2014, um episódio se tornou peculiar quando o ambicioso Adson recebeu apoio publicamente do ídolo do futebol Ronaldinho Gaúcho, que apoiou o candidato baiano ao cargo de deputado federal pelo Partido Republicano Progressista (PRP-BA).

No perfil oficial no Facebook do jogador, o atleta desejou boa sorte a Adson e pediu aos seus seguidores para votarem com consciência. À época, Muniz contatou a neta de Antônio Carlos Magalhães, Carol Magalhães, para ser a garota-propaganda da sua campanha, mas a proposta foi negada pela apresentadora.


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