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Transtorno de ansiedade e outros distúrbios mentais são possíveis temas da redação do Enem 2019

Imagem: Reprodução

O tema da redação do Enem 2019 pode ser uma surpresa para os mais de 5 milhões de estudantes que tiveram a inscrição confirmada para a prova marcada para os dias 3 e 10 de novembro. Para Will Assunção, professor de redação do Colégio Estadual Horácio de Matos em Jussiape, os estudantes devem se deparar com assuntos neutros, que devem tomar lugar de temas polêmicos e progressistas na prova deste ano.

“É provável que o Ministério da Educação (MEC) deva evitar proposições mais delicadas, consideradas pelo governo como ‘pautas ideológicas’, a exemplos das abordadas em edições anteriores”, indica o docente.

Ao abordar o transtorno de ansiedade e outros distúrbios mentais, a prova tem o intuito de chamar a atenção para uma questão da saúde mental muito presente na modernidade além de combater o preconceito relacionado a esses casos da psicologia.

Assunção acredita que distúrbios como o transtorno de ansiedade e depressão – e ao mesmo tempo o suicídio – podem ser tema da redação da edição de 2019 do Exame.

Superinteressante

O Brasil é o país mais ansioso do mundo: dados da OMS revelam que 9,3% da nossa população sofre de transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial”, revela Assunção ao expor uma manchete da revista Superinteressante trabalhada com 0 terceiro ano do ensino médio do qual realiza uma maratona para a prova.

No entanto, a ansiedade faz parte da vida moderna. Sua forma patológica, o transtorno de ansiedade, é a segunda doença mental mais comum do planeta: segundo dados da OMS, 264 milhões de pessoas sofrem desse mal – 14,9% a mais do que dez anos atrás. E o Brasil é o centro mundial do problema: 9,3% da população tem transtorno de ansiedade, quase o triplo da média internacional (3,5%), revela matéria da Superinteressante.

As redes sociais cercam os usuários de opções, por exemplo, dispositivos móveis permitem o acesso ininterrupto ao que outras pessoas fazem de suas vidas. Sejam as incontáveis atualizações no Facebook, os relatos empolgantes no Twitter e todas as fotos lustrosas, acompanhadas dos stories mágicos no Instagram, que mostram os acontecimentos mais interessantes que cada uma escolheu compartilhar. E, às vezes, isso traz certo desconforto: cadê você na foto? Será que você está aproveitando sua vida tão bem quanto os seus amigos? Com as redes sociais, o medo de ficar de fora ficou tão comum que até recebeu uma sigla: “FoMO”, de fear of missing out.

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ESTRUTURA DA REDAÇÃO DO ENEM
Assunção é enfático ao pontuar que uma boa introdução deve conter uma apresentação do tema, além, é claro, de uma contextualização histórica. Ainda como professor da área de linguagens, ele opina que filosofia e literatura podem enriquecer o texto, aumentando as chances de acerto ao citar, por exemplo, a segunda geração do romantismo e o byronismo, que está ligado ao mal do século ou, então, o entendimento sobre a modernidade líquida proposta pelo filósofo Zygmunt Bauman.

No desenvolvimento – ou argumentação como também é chamada esta parte do texto – o autor deve focar em apenas um argumento em cada parágrafo para que ele possa abordar elementos relacionados à saúde mental sem superficialidade. Para o Enem, muitos argumentos e pouca profundidade não é sinal de uma boa redação, ou seja, 3 ou 4 argumentos não cabem em 30 linhas. Caso tenha apenas 30 linhas para escrever, ao tentar elaborar 3 argumentos, o resultado será só um: puerilidade. Por isso, 2 argumentos, um parágrafo cada um, é o caminho.

A proposta de intervenção, na conclusão, deve constar o que é chamado de aplicabilidade real. Ou seja: dizer que “o governo deve criar leis, programas, campanhas etc.” não é proibido, mas lembre-se que para tirar nota máxima deve ser criado algo original. Algo que realmente funcione no mundo real.

É preciso deixar claro quais os meios de se chegar à solução proposta. É possível dizer, por exemplo, que para solucionar a fome do mundo basta dar comida para quem não tem. É uma solução? Claro que sim, mas como fazer isso?

A capacidade de pensar de maneira coerente também está sendo avaliada. E nunca deve ser esquecido de seguir a estrutura do texto expositivo: a redação do Enem costuma sempre ser dissertativa-argumentativa.