Minha curta e sublime história começa nos bastidores do maior festival de música do norte e nordeste do Brasil, o Festival de Verão, com um papo de botas batidas entre dois caras que tentam ter fé e ver coragem no amor. O queixume presente a todo o instante era, entrelinhas, perceptível aos olhos de quem era mero espectador daqueles dois. Falávamos, quero dizer, eu falava sobre como era incrível o trabalho dele e todos esses pormenores que pertencem à Geração Y, a geração dos perdidos, a nossa geração.

Depois de algum tempo, pedi, meio acanhado, sem jeito, uma foto. Não resisti e tietei. Mas, afinal, era o cara que sempre cantou as minhas dores de estimação, né? Eu estava tão envolvido que assim o fiz. A máquina era uma daquelas que se segura com as duas mãos, lentes graúdas, coisa de gente grande. Por sorte, o cara do lado oposto não conseguiu fotografar com o tão avançado instrumento, o que fez nossa conversa se prolongar por algum tempo que parece infinito de tanta poesia.

Ao passo que o fotógrafo improvisado tentava clicar uma foto, eu suava gelado de constrangimento. Passaram dois, três, quatro cliques e nada. Eu desanimei. Já havia desistido e agradecido a Camelo pela paciência. Mas o acaso ou a própria vontade de Marcelo me surpreenderia naquele instante. Ele pediu para eu verificar se a foto, de fato, havia sido tirada. Não havia. “Tá vendo, se eu não falasse não teria a foto”, brincou comigo de uma forma tão simpática quanto pôde. 

Fizemos outra foto, dessa vez pelo celular. Deu certo. Agora a noite estava completa. Tínhamos uma foto para a eternidade.

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