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Fligê se torna destino de estudantes aficionados por leitura

Foto: JUP

A Feira Literária de Mucugê (Fligê) chegou à quarta edição em 2019 com uma homenagem a Castro Alves. Segundo a organização do evento, a ideia de ter escolhido o poeta baiano tem como objetivo recuperar a representação das obras literárias do autor de Navio Negreiro e colocar em perspectiva as noções de afrofuturismo, diásporas e distopias por meio da produção dos novos autores.

A Feira foi aberta oficialmente na noite de quinta-feira (15) e, de acordo com a Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), o evento deve atrair mais de cinco mil pessoas este ano.

Responsável pela curadoria da Fligê desde 2016, Ester Figueiredo afirmou que montar a feira em homenagem a Castro Alves foi um verdadeiro desafio. Castro Alves é um poeta de múltiplas facetas e algumas delas são desconhecidas do grande público. Foi um abolicionista, abordou a natureza, mas também foi um escritor de peças de teatro. Então, nesta Fligê, ele será apresentado com ajuda dos artistas que protagonizam a feira, ainda como um escritor e produtor teatral”, pontuou.

O Sarau do Poeta, liderado pelo ator Jackson Costa (pandeiro e poesia) e pelos músicos Sidney Argolo (percussão), Joaquim Carvalho (violão e voz) e Dinho Sant’Ana (violino e bandolim) ganharam a atenção do público no evento.

Entre os convidados desta edição estão os escritores Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti 2018; Itamar Vieira Júnior, premiado no Leya 2018; Aleilton Fonseca, poeta, romancista e ensaísta, e Noemi Jaffe, autora, professora e crítica literária.

A Fligê é composta por 50 atrações, divididas em oficinas, encontros literários, debates e rodas de conversa, além de espetáculos e exposições, espalhados em diferentes espaços da cidade. O evento é uma realização com autonomia e em parceria com o Instituto Incluso, Coletivo Lavra e Governo do Estado.

LEITURA
No último sábado (17), estudantes, aficionados por leitura de diversas cidades da Bahia, aportaram na Fligê para aproveitar a programação do evento. Um grupo de estudantes do Colégio Estadual Horácio de Matos em Jussiape chegou cedo ao evento para aproveitar a programação do dia. “Muito bom, porque assim pudemos passar mais tempo e ver as atrações apresentada nesse período”, disse Milenna Natália Barros Aguiar, aluna do primeiro ano do ensino médio. Já para Gabriela Souza Cruz, também do primeiro ano, “foi incrível, pois pelo fato de termos chegado cedo, aproveitamos, conhecemos e apreciamos tudo com mais calma”.

O contato com diversos títulos e gêneros deixou muitos estudantes indecisos na hora de adquirir um exemplar. “Foi muito difícil; cada um era melhor que outro”, pontuou Rayane Novaes da Silva, aluna do terceiro ano. No entanto, houve quem não conseguiu comprar um exemplar. “Infelizmente não pude comprar o que eu queria, mais ganhei um que é excelente, principalmente, por te sido escrito por alguém da Chapada”, explica Stefani Dias da Conceição, do primeiro ano.

Com uma programação vasta, Ronildo Leite Soares Silva, do segundo ano, disse que o show ao vivo o fez identificar com as letras das canções apresentadas no palco da Fligê. Já a parte que mais chamou a atenção da aluna Rayane Silva, foi a abordagem sobre a importância dos negros no Brasil. “Não importa qual a cor da sua pele, a alma não tem cor”, destacou.

CORES DE MUCUGÊ
Mucugê, a 469 quilômetros de Salvador, é uma das cidades mais encantadoras da Chapada Diamantina. Nestas quatro edições da Feira Literária, a escolha pela cidade foi certeira, aponta Will Assunção, professor de língua portuguesa também com formação em turismo. Com capacidade para receber visitantes, Mucugê explora o ecoturismo e chama atenção pela prática sustentável dessa atividade econômica além da valorização das tradições locais – o que é primordial nessa modalidade do turismo.

“Quem caminha pelo colorido e conservado Centro Histórico de Mucugê se encanta ao ver jovens, adultos e idosos participando da Feira de forma integrada”, pontua Assunção ao dizer que teve olhos de turismólogo e educador a todo o momento.

“Ficou perceptível que a população local ganhou voz no evento ao ver um jovem quilombola expressar a importância da coexistência da sua cultura em um poema declamado ao público no início da programação”, alegou Will Assunção.

“O papel do negro não apenas em Mucugê, mas no Brasil teve relevância na Fligê. A escolha por Castro Alves, um dos poetas que mais representam o nosso País, foi de uma felicidade imensurável”, completa o professor.