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As diversas cores de Mucugê

Foto: Will Assunção/JUP

A Feira Literária de Mucugê (Fligê) chegou à quarta edição em 2019 com uma homenagem a Castro Alves. A escolha pelo poeta baiano visa recuperar a representação das obras literárias do autor de “Navio Negreiro” e colocar em perspectiva as noções de afrofuturismo, diásporas e distopias por meio da produção dos novos autores.

A Fligê movimentou uma das cidades mais encantadoras da Chapada Diamantina entre os dias 15 e 18 de agosto e atraiu, segundo estimativas da organização do evento, mais de cinco mil pessoas nesta edição.

A cidade voltou a se tornar território da leitura, dos versos, das rimas e da palavra em suas diversas formas. Além, é claro, de uma terra de diversas cores.

Com um relevante patrimônio nacional, Mucugê foi palco da Fligê e contou com intervenções artísticas durante a programação. Em quatro dias, a feira ofereceu produção e circulação de conhecimento literário, experiências, saberes, vivências com o livro.

A Feira ofereceu espaço dedicado às crianças (Fligêzinha) e ao cinema (FligêCine). Na Fligêzinha, os pequenos leitores tiveram acesso a escritores de livros infantis, interagem com perguntas, curiosidades e brincadeiras, ouvem e também contam muitas histórias.
No espaço dedicado à sétima arte, os filmes exibidos dialogam com a temática e com o atual contexto sócio-cultural, levando o espectador a refletir e (re)construir significados. Além disso, com a Fligê&Tu, a programação vai até a vila de Igatu, no município de Andaraí, onde realiza bate-papos, exposição e sarau na Galeria Arte & Memória.

Entre os convidados desta edição estão os escritores Mailson Furtado, vencedor do Prêmio Jabuti 2018; Itamar Vieira Júnior, premiado no Leya 2018; Aleilton Fonseca, poeta, romancista e ensaísta, e Noemi Jaffe, autora, professora e crítica literári.

A Fligê é composta por 50 atrações, divididas em oficinas, encontros literários, debates e rodas de conversa, além de espetáculos e exposições, espalhados em diferentes espaços.

A 469 quilômetros de Salvador, Mucugê foi uma escolha certeira. Com plena capacidade para receber visitantes de todos os cantos do mundo, a cidade explora o ecoturismo e chama atenção pela prática sustentável dessa atividade econômica além da valorizar as tradições locais – o que é primordial nessa modalidade do turismo.

Quem caminha pelo colorido e conservado Centro Histórico de Mucugê se encanta ao ver jovens, adultos e idosos participando da Feira de forma integrada.

Ficou perceptível que a população local ganhou voz no evento ao ver um jovem quilombola expressar a importância da coexistência da sua cultura em um poema declamado ao público no início da programação.

O papel do negro não apenas em Mucugê, mas no Brasil, teve relevância na Fligê. A escolha por Castro Alves, um dos poetas que mais representam o nosso País, foi de uma felicidade imensurável.
Mucugê se revelou como terreno da poesia, mágico e de diversas cores. Vocação e talento são marcas tangíveis na cidade que recebe gente do mundo todo.