Header Ads

LightBlog

Prosa, o gênero por definição

A prosa, por sua vez, orienta-se até certo ponto em sentido contrário ao da poesia. Já vimos que, por sua própria essência literária, a poesia e a prosa se aparentam numa série de aspectos. Destes, o mais importante é aquele que caracteriza a própria Literatura: expressão dos conteúdos da ficção, da imaginação, numa palavra, o subjetivismo.

Na poesia, como acabamos de ver, o sujeito, o “eu, volta-se para dentro de si, fazendo-se ao mesmo tempo espetáculo ou espectador. A prosa, todavia, inverte completamente essa equação. Com efeito, a prosa é a expressão do não-eu, do objeto. Por outras palavras: o sujeito que pensa e sente está agora dirigido para fora de si próprio, buscando seus núcleos de interesse na realidade exterior, que assim passa a gozar de autonomia em relação ao sujeito. A este interessam agora os outroseus e as coisas do mundo físico como objetos alheios cuja natureza vale a pena decifrar.

Está claro que a conduta do “eu diante do mundo exterior continua a ser radicalmente subjetivista, pela condição mesma de se tratar dum comportamento estético-literário.

Portanto, a base permanece subjetivista, pessoal, pois o “eu” é que a realidade; a visão do mundo continua egocêntrica. Como vimos, a poesia se caracteriza por ser a expressão do eu por meio da linguagem conotativa, ou de metáforas polivalentes. Quanto à prosa, sabemos que constitui a expressão do não eu através de metáforas aproximadamente univalentes.

Lembre-se de que o gênero prosa caracteriza-se pela forma corrida, natural e discursiva; pela despreocupação com a linguagem, valendo-se mais da denotação; e pela expressão do “não eu”.

Algumas características
Pelas várias definições, você pode constatar, como já dito, que as definições são variadas e complexas. No entanto, de alguma maneira, elas conservam alguns pontos próximos, os quais devem ser lidos como a matriz, a “essência” do que seja o gênero prosa.

Ambos dicionários exploram a ideia de a prosa ligar-se a aspectos da linguagem natural, ou seja, à maneira natural de falar, referindo-se à conversa informal, ao papo coloquial e cotidiano, ao discurso corrido, em linha reta, e despreocupado, à narrativa em contraposição ao verso. Os teóricos ressaltam a qualidade espontânea da expressão prosaica, revelada pela forma de expressão mais cotidiana e coloquial, traduzindo os conceitos exteriores e mais objetivos do mundo. A linguagem constrói-se denotativa e, dependendo do momento, exigirá a conotação. O ritmo, mais próprio à poesia, na prosa é menos concentrado e obedece ao fluxo da narrativa.

Para Massaud Moisés (1977), a prosa:
- destaca-se pela simplicidade e objetividade dos enunciados;
- apresenta uma linguagem cotidiana e/ou coloquial;
- exige a denotação das palavras por ser mais discursiva;
- expõe imagens mais objetivas e concretas na representação da realidade;
- prefere ser mais explícita com os conceitos;
- é construída em fluxo contínuo.