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‘Mim’ antes do verbo?


Antes de mais uma palavra, eu é sujeito, mim é objeto.

Eu é chamado pelos gramáticos de pronome pessoal reto – como tu (e, na prática, também você, que é considerado pronome de tratamento), ele, nós, vós, eles.

O que caracteriza os pronomes retos é o fato de serem usados basicamente no papel de sujeito (e mais raramente no de predicativo do sujeito).

Se o pronome, ao contrário, sofre a ação do verbo – em outras palavras, quando é empregado como complemento, no papel de objeto direto ou indireto –, usa-se a forma oblíqua em vez da reta. No caso da primeira pessoa do singular, emprega-se mim, que é chamado de pronome pessoal oblíquo tônico – ou me, o oblíquo átono. Outros oblíquos tônicos são ti, si ou ele, nós, vós, si ou eles (repare que alguns coincidem com os retos).

Uma construção como deixe ele ir é comum até na fala de pessoas cultas e começa a ganhar emprego literário.

HÁ CONJUGAÇÃO DE VERBO COM MIM?
A resposta para a pergunta acima é: depende.

No geral, mim (forma oblíqua tônica que assume o pronome da 1ª pessoa do singular) não conjuga verbo, já que não é capaz de mudar uma ação verbal.

O correto é usar o pronome pessoal eu antes do verbo no infinitivo, isto é, verbos findados em AR, ER, IR e OR (um verbo com final UR está sendo estudado, mas ainda não faz parte da gramática e, consequentemente, dicionário).

MIM
Mas tem um ditado que afirma que toda regra tem a sua exceção, não é mesmo?

Quando um verbo de ligação (verbos que não indicam ação, mas o estado do sujeito) aparecer junto de um predicativo do sujeito ou de verbos específicos (faltar, bastar, custar e restar), o certo é o uso de mim.

Sendo assim, veja alguns exemplos de frases em que mim foi usado corretamente:

Custa para mim permanecer na fila do show por cinco minutos.
Foi difícil para mim aceitar a sobremesa do almoço.

Portanto, quando alguém afirmar que mim não conjuga verbo, você pode tirar essa exceção à regra e mostrar que conhece bem o assunto.

Quando surgir verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, permanecer, continuar), junto de predicativo do sujeito, ou os verbos custar, bastar, restar e faltar.

Exemplos:
Foi difícil para mim aceitar a situação.
Custou para mim entender a matéria.
Basta para mim estar a seu lado.

Para mim ou para eu?
Veja como cada uma pode ser empregada corretamente:

PARA MIM
Deve ser usado quando estiver indicando o alvo ou completando o sentido de uma ação.

Para um melhor e maior entendimento, veja algumas frases e explicações para o uso de para mim:

Ela comprou uma blusa para mim! – Neste caso, o pronome ELA é quem pratica a ação. Com isso, para mim está indicando para quem essa ação foi feita.

Para mim, vocês não deveriam vender a casa. – Neste caso, para mim demonstrou a opinião, e não uma ação que é feita pelo pronome VOCÊS.

PARA EU
Deve ser usado quando o eu for o sujeito do verbo, ou seja, vier logo em seguida do verbo no infinitivo.

Seguindo a mesma linha de explicação feita em para mim, confira algumas frases e explicações do uso de para eu, respectivamente:

Ele levou uma roupa para eu usar – Aqui, temos dois verbos e duas orações. Na primeira oração, o verbo é levou e o sujeito é ELE. Na segunda oração, o verbo é usar e o sujeito é EU. Sendo assim, para eu está indicando uma ação relacionada à primeira praticada.

Fui à biblioteca e peguei três livros para estudar – Neste caso, o sujeito é o mesmo nas duas orações e responsável pela ação. Por isso, o eu é oculto, pois fica subentendido devido à conjugação do verbo IR (Fui à biblioteca...).