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As características do gênero poesia (2)

Os versos
Verso é cada linha do poema. Constitui-se de palavra(s), apresenta ritmo sistemático e certa musicalidade. Os versos apresentam vários tipos:

— versos regulares: são aqueles que, numa estrofe, possuem identidade métrica e rítmica, ou seja, podem ser metrificados. Eles possuem a mesma quantidade de sílabas poéticas e são rimados no final. As sílabas acentuadas repetem-se na mesma posição de cada verso, sem nenhuma alteração.

Os versos regulares foram mais valorizados pelos poetas clássicos, barrocos e parnasianos. A forma conhecida foi o soneto.

— versos soltos ou brancos: obedecem às regras da métrica, mas não apresentam rima. Um exemplo famoso é a elegia Cântico do Calvário, do poeta Fagundes Varella, escrita à morte de seu filho de três anos de idade. Composto em dez sílabas poéticas (os decassílabos), com bastante rigor e ausência de rimas, seu eu lírico revela a dor da perda de alguém essencial a sua vida.

— versos livres: não obedecem a regras de métrica, posição das sílabas fortes ou de rima; cada verso pode ser de um tamanho. Variam de acordo com a leitura, entoação e maior ou menor rapidez da enunciação. Seu ritmo é apoiado na combinação da entoação e das pausas. É um verso típico do Modernismo.

— versos polimétricos: (poli = muito; metro = tamanho) são um conjunto de versos que apresentam tamanhos diferentes.

IMPORTANTE
Entonação: linha melódica, escala de elevação da voz com que se pronuncia uma frase.

— refrão ou estribilho: verso(s) que se repete(m) mais de uma vez no poema ou no final de cada estrofe. É muito comum a utilização de refrão ou estribilho em poemas populares. A repetição de alguns versos serve para a musicalidade, memorização e ênfase do conteúdo do poema. Um exemplo bastante conhecido é a poesia trovadoresca, com suas cantigas de amigo e amor.

A estrofe (ou estância)
Estrofe ou estância é o agrupamento e a sucessão de dois ou mais versos num poema. A quantidade de versos pode variar de um poema para outro ou em cada estrofe dum mesmo poema. As estrofes oferecem o “corpo” do poema e concentram e organizam os versos, de acordo com o esquema proposto pelo poeta.

Para Massaud Moisés, entende-se por estrofe cada uma das secções que constituem um poema, ou seja, cada agrupamento de versos, rimados ou não, com unidade de conteúdo e de ritmo. Para D’Onofrio, estrofe é o “movimento rítmico e ideológico do poema.

O poeta pode construir estrofes que possuam o mesmo número de versos, chamadas de uniformes, como Álvares de Azevedo fez no poema Se eu morresse amanhã, no qual há quatro estrofes de quatro versos (os quartetos) cada.

Se o poeta não obedecer a essa ordem, as estrofes receberão o nome de estrofes combinadas. Nesse caso, num mesmo poema, poderemos ver, por exemplo, estrofes de quartetos com tercetos (como acontece nos sonetos). Tudo dependerá da pretensão do poeta e dos padrões de poesia que o inspira. Exemplificamos essa composição com o soneto Perdoa-me, visão dos meus amores, de Álvares de Azevedo.

As estrofes podem ser classificadas como:

- simples ou isométricas: possuem o mesmo número de sílabas poéticas;
- compostas ou heterométricas: o número de sílabas é aleatório;
- regulares: possuem de dois a dez versos no máximo, com a quantidade idêntica de sílabas poéticas em cada verso, e o mesmo esquema de rimas;
- irregulares: sem esquema de rimas e métrica, ultrapassando dez versos.

O esquema das estrofes e a organização dos versos são responsáveis pela simetria ou assimetria do poema.

- simetria: quando os poemas apresentam o mesmo número de versos, métricas, rimas e estrofes uniformes ou combinadas.

- assimetria: quando há a ausência de regularidade na estrutura do poema.

O poema tem como característica marcante a oralidade, é feito para ser lido, recitado ou cantado. Ainda que o leiamos silenciosamente, podemos perceber seu lado sonoro (musical) pelo modo de pronunciar as palavras, captando, assim, seu ritmo.

Classificação das estrofes quanto ao número de versos

Número de versos e suas nomenclaturas

dois dístico, parelha ou pareado
três trístico ou terceto
quatro tetrástico, quadra ou quarteto
cinco pentástico, quinteto ou quintilha
seis hexástico, sextilha ou sexteto
sete heptástico, sétima, septilha, septena ou hepteto
oito octástico ou oitava
nove nona, eneagésima ou novena
dez decástico, década ou décima
mais de dez irregular

A metrificação
Metrificação é a medida do verso, a quantidade de sílabas poéticas. O poeta escolhe as palavras que vai empregar e se vai respeitar ou não as regras métricas. Veja o que constata Olavo Bilac, o exímio poeta brasileiro que utilizou com rigor e zelo dos fundamentos do poema para construção de suas obras parnasianas:

Para o gramático, todos os sons distintos, em que se divide uma palavra, são outras tantas sílabas, sejam estes sons uma simples vogal, um ditongo, ou uma vogal seguida de uma ou mais consoantes, que batam justas, quer lhe fiquem antes, quer depois [...] O metrificador, diferentemente, apenas conta por sílabas aqueles sons que lhe ferem o ouvido, assinalando a sua existência indispensável. Quanto aos sons vulgares, da linguagem e audição comum, estes lhe passam completamente despercebidos, porque
não formam sílabas, e são como se não existissem. Para o gramático, a palavra representa sempre o que é precisamente: nada lhe importa o ouvido. O metrificador não se preocupa senão com o ouvido e com o modo como a palavra lhe soa, defende Olvado Bilac.

Escandir ou metrificar o verso é destacar suas sílabas métricas. Escansão é a contagem do número de sílabas poéticas, o que se estuda na versificação. Segundo Norma Goldstein, escandir (escansão) significa separar o verso em sílabas poéticas. Note que nem sempre significa que as sílabas poéticas correspondem às sílabas gramaticais. O leitor-ouvinte pode juntar (ou separar) sílabas, quando houver encontro de vogais, de acordo com a melodia do verso. “O ouvido de cada um vai indicar como proceder”, defende Goldstein.

Para escandir o verso, você deve observar se:
1. as sílabas são fortes e fracas;
2. a contagem da sílaba poética ocorre até a última sílaba forte;
3. as sílabas são separadas a partir de sua entonação, ocorrendo, muitas vezes, a supressão de sons (elisão) ou a acomodação de vários sons a uma única sílaba métrica (sinalefa);
4. Utiliza-se a sigla ER para marcar o esquema rítmico (métrico) de cada verso;
5. Há vários segmentos rítmicos (sem regras);

Geralmente, as sílabas poéticas coincidem com as sílabas gramaticais. Porém, elas são diferentes em alguns aspectos, considerando-se o artefato da sonoridade e expressão na realização do verso. Elas representam muito mais a situação de oralidade ou fala.

Uma das maneiras mais adequadas para realizar a escansão dos versos e saber se estão metrificados corretamente é conta-los em voz alta, procurando ouvir como se realizam na fala. Observe os versos a seguir. Vamos fazer a divisão gramatical. Para tanto, seguiremos à risca a divisão dos hiatos, ditongos e tritongos e todas as regras de separação de sílabas que aprendemos na escola.

Estamos fazendo apenas separação silábica, portanto, os números indicam a posição e a
quantidade de sílabas:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Je/sus/ ex/pi/ra/ o/ hu/mil/de/ e/ gran/de/ o/brei/ro

Exemplo extraído do livro Tratado de Versificação, de Olavo Bilac, 1910.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
So/bem/ já/ pe/la/ cruz/ a/ci/ma/ es/ca/das

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
E/ nos/ cra/vos/ va/ra/dos/ no/ ma/dei/ro

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Os/ ma/lhos/ ba/tem/ cru/zam/-se/ as/ pan/ca/das

Esses mesmos versos devem ser metrificados, ou seja, devemos contar as sílabas poéticas, levando em conta a sonoridade das palavras conjuntamente. Faremos a escansão dos versos:

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Je/sus/ ex/pi/ra o hu/mil/de e/ gran/de o/brei/RO

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
So/bem/ já/ pe/la/ cruz/ a/ci/ma es/ca/das

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
E/ nos/ cra/vos/ va/ra/dos/ no/ ma/dei/ro

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Os/ ma/lhos/ ba/tem/ cru/zam/-se as/ pan/ca/das

Algumas regras para entender os versos

Essas regras também foram resumidas do livro Tratado de Versificação, de Olavo Bilac (1910):

União das vogais

— quando uma vogal é colocada antes de outra, e as duas se amalgamam:

ex.: ditongos: aumenta = au/men/ta;

Hiato: frio = fri/o – frio//

— quando a vogal final funde-se com a vogal inicial da palavra seguinte:

ex.: bondade infinita = bon/da/d’in/fi/ni/ta

— vogal muito forte evita a aglutinação silábica:

ex.: vá eu, que ficaria vaeu; ou, só uma – souma

pronúncia das vogais
— a = cara (uma sílaba) e cará (duas sílabas);

— e = abertíssima em sé; aberta em mercê; surda na última sílaba em bondade; som de i na conjunção e: tu e eu = tu i eu;

— o = abertíssima em nó; aberta na segunda e surda na última: pescoço;

— u = não se modifica e é quase imperceptível: requinte;

A vogal mais fraca, menos acentuada, elide-se na vogal seguinte. Ex.: bondad’infinita.

alteração das sílabas

— aférese: supressão da sílaba no começo. Ex: até = té.
— síncope: supressão no meio. Ex: maior = mór.
— apócope: supressão no final. Ex: mármore = mármor.
— prótese: acréscimo no início. Ex: metade = ametade.
— epêntese: acréscimo no meio. Ex: afeto = afeito.
— paragoge: acréscimo no fim. Ex: tenaz = tenace.

acentos e pausas poéticas

— ocorrem com o som da sílaba em m ou n;

Ex: tam/pa = //U22 (1 sílaba); es/pe/ran/ça = UU//U (3 sílabas);

— é necessário demora na pronunciação;

— a pausa acontece predominantemente nas vogais abertas.
Ex: a/mo = //U; a/ma/do = U//U; a/ma/dor = U//U;

U significa as sílabas breves e “ – “, as sílabas pausadas.

sílabas fortes

— aguda = última sílaba (sol, visão, capataz, abacaxi etc.);

— grave = penúltima sílaba (pato, cadeira, bofetada etc.);

— esdrúxula = antepenúltima (tímido, pernóstico, catedrático etc.).

IMPORTANTE
O poder do significado das consoantes num poema
B e P = queda (bumba); tiro (pum); pancada e queda (timbum);
D e T = quedas repentinas, pancadas secas, tiros, tropeços, estalidos (bradar, bater, matraca, dar);
C e S = serpente (silva); vento (assopra);
F e V (mais áspero) = fortaleza, resistência, valentia;
G, C, K e Q = exprimem coisas difíceis ou resistentes – angústia, tigre, calo etc;
M e N = palavras com prolongamento: tocam o coração – amor, mamãe, sofrimento etc;
R = duro e trêmulo – arranco, torrente, mumúrio;
L = brando – mole, embalar etc.

Podemos encontrar versos que variam de uma a 12 sílabas poéticas e que têm esquemas rítmicos específicos. Os versos mais conhecidos são os de cinco sílabas (redondilha menor) e os de sete sílabas (redondilha maior), os decassílabos (dez sílabas) e os alexandrinos (12 sílabas).

Classificação dos versos



De acordo com a expressão das sílabas poéticas, podemos escandir e classificar os versos em:

uma sílaba (ou monossílabos)

Exemplo:

Serenata sintética
1
Rua (Ru / a)
Torta (Tor / ta)
Lua
morta
Tua
Porta

(RICARDO, 1955, p. 174).

duas sílabas (ou dissílabos)

Exemplo:

A valsa
[...] 1 2
Na valsa (Na/val/sa)
Cansaste (Can/sas/te;)
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida [...]
(ABREU, C., 2009, p. 65).

três sílabas (ou trissílabo)

Exemplo:

Trem de ferro
[...] 1 2 3
Foge, bicho (Fo / ge /, bi / Cho)
Foge, povo (Fo / ge /, po / vo)
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
[...]
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

(BANDEIRA, 1998, p. 6768).

quatro sílabas (tretassílabo)

Exemplo:

A casa
1 2 3 4
Era uma casa (E / ra u / ma / ca / as)
Muito engraçada (Mui / to en / gra / ça /da)
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero

(MORAES apud MAIA, 2002, p. 17).

cinco sílabas (pentassílabo ou rendodilha menor)

Exemplo:

Tempo celeste
Relógios certeiros: (Re / ló / gios/ cer / tei / ros)
a noiva já desce, (a / noi / va/ já/ des/ ce)
e está pronta e morta.
Por sombra de flores
Os carros deslizam,
as portas afastamse.
O mundo recende,
cercado de lua
vacilante rosa.
[...]
Dorme o pensamento
Riramse? Choraram?
Ninguém mais recorda [...]

(MEIRELES, 2001, p. 664).

seis sílabas (hexassílabo)

Exemplo:

Inesperadamente
1 2 3 4 5 6 Inesperadamente, (I / nes / per / ra / da / men / te)
a noite se ilumina: (a / noi / te / se i / lu / mi / na)
que há uma outra claridade
para o que se imagina.
Que sobrehumana face
vem dos caules da ausência
abrir na noite o sonho
da sua própria essência?
Que saudade se lembra
e, sem querer, murmura
seus vestígios antigos
de secreta ventura?
Que lábio se descerra
e – a tão terna distância!
conversa amor e morte
com palavras de infância?
O tempo se dissolve:
nada mais é preciso,
desde que te aproximas,
porta do Paraíso!
Há noite? Há vida? Há vozes?
Que espanto nos consome,
de repente, mirandonos?
(Alma, como é teu nome?)
(MEIRELES, 2001, p. 1068)

sete sílabas (heptassílabo ou redondilha maior)

Exemplo:

Cantiga Partindo-se
1 2 3 4 5 6 7
Senhora, partem tão tristes (Se / nho / ra / par / tem / tão / tris / tes)
1 2 3 4 5 6 7
meus olhos por nós, meu bem (meus / o / lhos / por / nós / meu / bem)
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém
tão tristes, tão saudosos
tão doentes da partida
tão cansados, tão chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida
Partem tão tristes os tristes
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém

(CASTEL’BRANCO E VITORINO, 2011).

oito sílabas (octossílabo)

Exemplo:

A melhor do planeta
1 2 3 4 5 6 7 8
Tu pensas que tu é que és (Tu / pen / sas / que / tu / é/ que / és)
1 2 3 4 5 6 7 8
A melhor mulher do planeta, (A / me / lhor / mu / lher / do / pla / ne / ta)
Mas eu é que não vou fazer
Tudo o que te der na veneta.
Tu foste marcar dois por quatro
Batendo teus pés lá no chão do teatro
Não entendo a opereta
Fizeste a careta
Pior do planeta.
Tu foste dançar par constante
Num baile de um clube da liga barbante
Tu abafaste a orquetra
Dizendo: “Sou mestra...
Pior pro Palestra!”
(NOEL apud CHEDIAK, 1991, p. 24).

nove sílabas (eneassílabo)

Exemplo:

Canto do Piaga
[...]
1 2 3 4 5 6 7 8 9
(Não / sa / beis / o / que o / mons / tro / pro / cu / ra)
Não sabeis o que o monstro procura?
Não sabeis a que vem, o que quer?
Vem matar vossos bravos guerreiros,
Vem roubar-vos a filha, a mulher [...]

(DIAS apud RONCARI, 1995, p. 378).

dez sílabas (decassílabo)

Exemplo:

Vaidade
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
(So / nho / que / so/ u a / Poe / ti / sa / e / lei / ta,)
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

(ESPANCA, 2007, p. 33).

11 sílabas (endecassílabo)

Exemplo:

IJuca Pirama
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiamse os tetos daltiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão

(DIAS apud PATRIOTA, 2006, p. 94).

12 sílabas (alexandrino)

Exemplo:

Amor
Nas largas mutações perpétuas do universo
O amor é sempre o vinho enérgico, irritante...
Um lago de luar nervoso e palpitante...
Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

(CRUZ E SOUZA, 1982, p. 46).

A classificação dos versos obedece então às seguintes nomenclaturas:

Classificação dos versos/Sílabas poéticas Classificação do verso
uma monossílabos
duas dissílabos
três trissílabos
quatro tetrassílabos
cinco pentassílabos ou redondilha menor
seis hexassílabos
sete heptassílabos ou redondilha maior
oito octossílabos
nove eneassílabos ou jâmbicos
dez decassílabos = heróico (acentos na sexta e décima) ou
sáficos (acentos na quarta, oitava e décima)
11 hendecassílabos ou datílicos
12 dodecassílabos ou alexandrinos
mais de 12 bárbaros

O ritmo poético
O ritmo é próprio da atividade humana, ou seja, da respiração, da gesticulação, do trabalho, do esporte etc. Pelo seu caráter musical, ele é uma das essências poéticas.
Originalmente, as poesias eram cantadas acompanhadas pelo instrumento lyra. No gênero poesia, o ritmo pode resultar da métrica, (do tipo de verso utilizado pelo poeta, que pode construí-lo de algumas maneiras, a partir do estrato gráfico e fônico (a escolha do título; a estrutura dos versos e a disposição das estrofes; a escolha lexical e das sílabas fortes e fracas; a construção das rimas).

Os diferentes arranjos escolhidos por ele determinam assim os efeitos sonoros e conferem a cada poema seu próprio ritmo. A ocorrência das rimas, que são construídas de diversas formas na tradição literária, é bastante comum.

A rima
Há vários teóricos que tentam definir a rima. Estude algumas definições no quadro em seguida:

Definições de rima

“Rima é o nome que se dá à repetição de sons semelhantes, ora no final de versos diferentes, ora no interior do mesmo verso, ora em posições variadas, criando um parentesco fônico entre palavras presentes em dois ou mais versos”, define Goldenstein.

“A função principal da rima é criar a recorrência do som de modo marcante, estabelecendo uma sonoridade contínua e nitidamente perceptível no poema. Frequentemente a nossa sensibilidade busca no verso o apoio da homofonia final; e do sistema de homofonias de um poema extrai um tipo próprio de percepção poética, por vezes independente dos valores semânticos. É o esqueleto sonoro formado pela combinação das rimas”, defende Candido.

“Somos por isso de parecer que todos os versos devem ser rimados. As rimas chamam ideias, reclamam maior atenção para o trabalho; encantam, finalmente. Por isso julgamos que em composição alguma de versos se deve prescindir da rima. Ela é indispensável. (...) Rima é a uniformidade do som na terminação de dois ou mais versos”, crava Olavo Bilac.

“A rima, sendo cousa diferente de ritmo, deve, entretanto, considerar-se como seu complemento. Num caso, repete-se a acentuação, de espaço a espaço, no mesmo verso; noutro reiteram-se sons do fim das linhas”, pontua Said Ali.

A classificação das rimas

quanto à posição dos versos:

— rimas externas são sons semelhantes no final de diferentes versos.

— rimas internas ocorrem entre a palavra final de um verso e outra do interior do verso seguinte.