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A palavra saudade é intraduzível?

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A ideia de que a palavra saudade não possui equivalência em outras línguas é um dos grandes mitos do nosso vernáculo. Como saudade é um sentimento universal, todo idioma acaba tendo seus próprios meios de expressá-la. Quem explica é o linguista Carlos Faraco, autor de Linguística Histórica: introdução ao estudo da história das línguas. “As línguas, todas elas, garantem aos seus falantes os recursos para a expressão de sua experiência pessoal, social e histórica. É o chamado potencial semiótico.”

Uma das primeiras conceituações do termo em português remonta aos anos 1.600, quando o filósofo e escritor lusitano D. Francisco Manoel de Melo definiu saudade como uma ode à melancolia: “Essa paixão que só nós sabemos o nome, chamando-lhe saudade, filha do amor e da ausência”.

Em 2008, a empresa britânica Today Translations ouviu mil tradutores e considerou saudade a sétima palavra estrangeira mais difícil de traduzir. Nem mesmo em português há consenso. Para o Aurélio, é uma “lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado”. Já o Houaiss considera saudade um sinônimo de “isolamento, solidão e desamparo”.

Seria o equivalente às espanholas soledad e añoranza. Tanta confusão também tem a ver com o fato de que em outras línguas é preciso combinar palavras para falar saudade. Um caso comum é o do inglês, que usa o verbo miss para determinar “falta de”. Em meio a mais de 6 mil idiomas existentes no mundo, seria improvável ninguém mais conseguir verter em prosa e verso suas saudades.