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O gênero poesia

Como você pode ver, definições são bastante complicadas e complexas, mas necessárias. Falar sobre o gênero poesia é valorizar uma das maneiras de conhecer o ser humano por dentro, a partir de seus sentimentos, emoções e individualidade. Há algumas coisas a serem definidas antes de partirmos para as características desse gênero. Primeiro, lembre-se de que há a diferença entre os significados dos termos gênero poesia, poesia e poema. Eles podem ser parecidos, porém são utilizados para funções distintas.

Octavio Paz diz que “um soneto não é um poema, mas uma forma literária, exceto quando esse mecanismo retórico – estrofes, metros e rimas – foi tocado pela poesia. Há maquias de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos podem ser poéticos: são poesia sem ser poemas. Pois bem, quando a poesia acontece como uma condensação do acaso ou é uma cristalização de poderes e circunstâncias alheios à vontade criadora do poeta, estamos diante do poético. Quando – passivo ou ativo, acordado ou sonâmbulo – o poeta é o fio condutor e transformador da corrente poética, estamos na presença de algo radicalmente distinto: uma obra. Um poema é uma obra. A poesia se polariza, se congrega e se isola num produto humano: quadro, canção, tragédia. O poético é poesia em estado amorfo; o poema é criação, poesia se ergue. Só no poema a poesia se recolhe e se revela plenamente. É lícito perguntar ao poema pelo ser da poesia, se deixarmos de concebê-lo como uma forma capaz de se encher com qualquer conteúdo. O poema não é uma forma literária, mas o lugar de encontro entre a poesia e o homem. O poema é um organismo verbal que contém, suscita ou emite poesia. Forma e substância são a mesma coisa.

Antonio Candido esclarece que “não abordaremos o problema da criação poética em abstrato: o que é a poesia, qual a natureza do ato criador no poeta; etc. Isto não quer dizer que o nosso curso não sirva, no fim, para ajudar o entendimento de problemas deste tipo. Este esclarecimento é necessário também para se avaliar a relação do poema com a poesia, pois desde o Romantismo e do aparecimento do poema em prosa (de um lado) e da depuração do lirismo, de outro, sabemos:

a) que poesia não se confunde necessariamente com o verso, muito menos com o verso metrificado. Pode haver poesia em prosa e poesia em verso livre. Com o advento das correntes pós-simbolistas, sabemos inclusive que a poesia não se contém apenas nos chamados gêneros poéticos, mas pode estar autenticamente presente na prosa de ficção;

b) que pode ser feita em verso muita coisa que não é poesia. Julgamentos retrospectivos a este propósito são inviáveis, mas não a percepção de cada leitor.

Assim, embora a poesia didática do século 18, por exemplo, fosse perfeitamente metrificada e constituísse uma das atividades poéticas legítimas, hoje ela nos parece mais próxima dos valores da prosa.

Esse três teóricos problematizam algumas características essenciais do gênero poesia. Em primeiro lugar, então, devemos considerar a construção dos significados pela linguagem. A linguagem poética é essencialmente mais condensada, enxuta e concisa, como salienta Ezra Pound. O poeta revela a capacidade exímia de adequar seus conceitos dentro dos restritos limites poéticos. Ele deve fazer as escolhas lexicais bem mais elaboradas e carregadas de significados para que se consiga transmitir todas suas ideias, o que só é possível por conta da polissemia da palavra. A linguagem é conotativa, portanto.

Dessa maneira, entende-se que o gênero poesia concilia a forma e o conteúdo. Octavio Paz considera ser a forma o poema, e o conteúdo a sua própria essência poética, a poesia. A poesia encontra-se por toda a parte, mas apenas com a atividade do poeta que, captando-a, polarizando-a e transformando-a em linguagem, pode-se ter o poema. A forma e a poesia são categorias indissociáveis. A última consideração, a de Antonio Candido, permite encontrar um sentido – não tão usual sobre os termos poesia e prosa. O poema é a expressão em versos fixos, sistemáticos e padronizados e, por outro lado, a poesia revela-se mais livremente tanto em prosa quanto em versos livres.