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Sinonímia e paráfrase

No nível das palavras, a sinonímia corresponde à equivalência de sentido que elas têm. Essa relação pode ser estendida para as sentenças, o que resultará no que se denomina paráfrase. Lembrando a noção de acarretamento, quando duas sentenças são sinônimas, uma acarreta a outra.

Vejamos:
(i) “João encontrou o caminho”.
(j) “O caminho foi encontrado por João”.

Embora a informação seja a mesma, na organização das sentenças, o que é tema em uma passa a ser rema na outra e vice-versa. É uma forma de se topicalizar o que se quer destacar.

Podemos entender por paráfrase, portanto, a mudança das palavras, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant'Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia”:

Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).

Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).

Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas ideias, não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade da terra natal.