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Sinonímia, antonímia, homonímia e polissemia

No campo lexical, as palavras definem-se umas em relação às outras e, nesse processo de estruturação do sistema lexical, elas estabelecem diversos tipos de relação, a saber: a sinonímia, a antonímia, a hiperonímia, a hiponímia, a homonímia, a paronomásia e a polissemia. É o que veremos na sequência.

Sinonímia
São sinônimos dois termos que podem substituir um ao outro em determinado contexto. Embora isso ocorra, não são sinônimos perfeitos, porque as condições de uso serão determinadas pelo discurso.

Selecionar um verbo, por exemplo, como amar ou adorar, implica em saber o contexto que determinará essa escolha, pois cada um compreende um grau de intensidade de gostar. Por outro lado, o discurso pode desfazer sinonímias. É o que ocorre com as palavras belo, sublime e bonito, no exemplo que se encontra no texto de Pietroforte & Lopes: O Belo decorre do equilíbrio resultante da perfeita combinação de todos os
elementos esteticamente relevantes.

O Sublime nasce da exacerbação do Belo. Ele é alcançado, segundo Kant, quando ao Belo aliam-se elementos que trazem à consciência certa ideia de infinito. Há nesta categoria uma grandiosidade que ultrapassa a dimensão humana.

O Bonito é a forma diminuída do Belo; é o apoucamento do Belo. Não alcança a harmonia e a realização cabal deste.

Antonímia
Esse processo é contrário ao da sinonímia, uma vez que não há oposição absoluta entre antônimos, do mesmo modo em que não há semelhança total entre sinônimos. No léxico, encontramos, entretanto, significados que são contrários.

Quando dizemos feio versus bonito, alto versus baixo, por exemplo, torna-se fácil reconhecer a oposição de sentido. Todavia, a antonímia vai além disso. Há palavras que não são a princípio opostas, mas que podem se tornar no contexto.

O autor Rodolfo Ilari lembra-nos de contextos, como o político, em que a oposição dos
significados das palavras está relacionada a períodos diferentes da história e, por isso, remete às oposições entre eles. São os casos de parlamentaristas versus presidencialistas, monarquistas versus republicanos, por exemplo.

A oposição entre as palavras antônimas pode ter origem diversificada, pois pode ser estabelecida ao indicar, por exemplo, posições diferentes em uma escala (frio versus quente) ou delimitar início e fim de um mesmo processo (nascer versus morrer) e assim por diante.

O importante é observar a construção dos significados pela linguagem, não nos esquecendo de que os sentidos se constroem na interação produtor-texto-leitor.

Homonímia e polissemia
Às vezes torna-se difícil distinguir um fenômeno do outro. No entanto, mesmo parecidos, o que pode distinguir um do outro é o fato de a homonímia ser da ordem do significante, enquanto a polissemia é da ordem do significado.

O exemplo clássico de homonímia é o uso de manga, que no plano da expressão (o significante) é a mesma palavra, mas que pode designar uma fruta ou uma parte do vestuário – camisa ou blusa.

Há homônimos que mudam a grafia, como cessão, sessão, seção. Há outros, ainda, que podem mudar de classe gramatical, como passe (substantivo) e passe (do verbo passar). De qualquer maneira, é o contexto que determinará o significado da palavra utilizada.

Já na polissemia uma mesma palavra admite vários significados, que são apreendidos como extensões de um sentido básico. Coloquemos em destaque a palavra flor.

Vejamos o exemplo:
“Maria, aquela flor de menina, encantou-me.”

O mesmo referente foi nomeado como Maria e, em seguida, retomado como “flor de menina”. Nesse caso, entendemos que o significado da palavra é polissêmico e se dá pela extensão do sentido básico.

Homônimas são palavras que apresentam a mesma fonética, mas semântica diferenciada. Vejamos:

Homófonas (homo: mesmo; fono: som) - pronúncias iguais, grafias diferentes.

Exemplos: A sessão foi ótima. (de cinema)
Esta seção da loja é só para mulheres. (departamento)

Vamos fazer uso do bom senso. (juízo)
O censo obteve bons resultados. (conjunto de dados estatísticos)

Homógrafas (homo: mesmo; grafia: escrita) - escritas iguais, sons diferentes.
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Exemplos: Eu gosto de você. (verbo)
Meu gosto é diferente do seu. (substantivo)

A força não é maior que a sabedoria. (substantivo)
Não é ele quem força a tranca para fechar a porta! (verbo)

Homônimos perfeitos – grafia e pronúncia iguais.

Exemplos: Vocês verão prosperidade em todos os sentidos! (verbo)
O verão deste ano está chuvoso! (substantivo)

Eu cedo, mas você também tem que ceder! (verbo)
Deus ajuda quem cedo se levanta! (advérbio de tempo)

Paronomásia, hiperonímia e hiponímia

Paronomásia
Esse fenômeno consiste na aproximação dos significados pela semelhança dos significantes. Isso pode ocorrer ou por engano do falante ou por recurso expressivo em textos poéticos. No primeiro caso, temos como exemplo o uso dos verbos retificar e ratificar, nos quais há uma alteração fonética pela troca de um /e/ por um /a/, e que têm significados diferentes. Já em construções poéticas, esse recurso pode ser utilizado como construção de figura de linguagem.

Hiperonímia e hiponímia
Ao se estabelecerem as relações entre as palavras em determinado contexto, pode haver um processo de hiperonímia ou de hiponímia. O primeiro se constitui no uso de lexemas que englobam os significados de outros, os quais são denominados hiperônimos. Já o segundo diz respeito aos lexemas que particularizam o sentido do primeiro. Nesse caso, denominam-se hipônimos.

Como exemplo, podemos ter flor como hiperônimo e margarida, rosa, violeta como hipônimos. Entretanto, ressalta-se que é preciso haver essa relação de termo englobante e termos englobados para que se estabeleça o processo de hiperonímia e/ou hiponímia.