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Ser ou não ser, eis a questão: a existência da consciência e a morte como solução


To be or not to be, that is the question (que convencionalmente é traduzido como Ser ou não ser, eis a questão, já que em cada época é adotada uma interpretação distinta) é o famoso enunciado dito pelo príncipe Hamlet durante o monólogo da primeira cena do terceiro ato de uma das peças mais famosas de William Shakespeare, Hamlet.

O enunciado dito no início do monólogo – ser ou não ser, eis a questão – pode, à primeira vista, parecer indecifrável, mas na verdade é uma questão de fácil entendimento. O questionamento filosófico que acomete Hamlet acerca dos dissabores de ser humano faz com que ele se indaga sobre existir ou não existir? e, levado em última instância, viver ou morrer?

A personagem shakespeariana se vê diante de um dos maiores questionamentos levantados pela humanidade e se pergunta se não seria melhor pôr fim à vida, já que a existência humana é repleta de tormento e sofrimento ou aceitar a condição da existência consciente de todas as dores inerente à vida?

Cabe dizer também que, ao contrário do que muita gente costuma imaginar, o príncipe Hamlet não segura uma caveira ao dizer seu mais famoso aforismo. Outro engano cometido é pensar que ele está sozinho em cena. Na peça do baldo inglês, o Rei e Polônio assistem escondidos às elucubrações de Hamlet. A cena em que Hamlet segura uma caveira é prevista na primeira cena do quinto ato, quando ele se encontra secretamente com Horácio no cemitério. A caveira que ele segura é do bobo da corte Yorick. Nesta cena, Hamlet está divagando sobre a morte. Apesar de não estarem na mesma parte da tragédia, o monólogo de Hamlet e a cena da caveira são próximas pelo tema: a reflexão sobre a vida e a morte.

A caveira é uma imagem sempre presente nas pinturas Vanitas do século 16 e 17, na Europa. Vanitas era uma representação específica da natureza morta, no qual os temas recorrentes como caveiras, relógios, ampulhetas e frutas em decomposição, representavam a efemeridade e o vazio da vida.

Veja o trecho do monólogo
Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer... dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação