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Acarretamento e pressuposição


No nível da palavra, quando temos a hiponímia e a hiperonímia, observamos que há o significado de uma palavra contido no significado de outra. Pode-se, então, transferir essa noção para o nível da sentença para se chegar à noção de acarretamento.

Vejamos os exemplos:
(c) “João continua fumando”.
(d) “João fuma desde adolescente”.

A informação descrita no enunciado (d) está contida no enunciado (c), o que nos leva a afirmar que (d) é hipônimo de (c), isto é, a afirmação em (c) acarreta a afirmação em (d). No entanto, a hiponímia pode ser estabelecida entre sentidos, ao passo que o acarretamento se estabelece exclusivamente entre referências. Isso quer dizer que uma sentença acarreta outra se a verdade da primeira garante a verdade da segunda ou a falsidade da segunda garante a falsidade da primeira.

A noção de acarretamento leva à noção de pressuposição, pois ambas estão relacionadas ao que se denomina implicação. Assim, por exemplo, dizer que (e) implica (f) é apenas sugerir que (f) seja verdadeira:

(e) “Hoje tem sol”.
(f) “Hoje é dia de praia”.

Afirmar que a verdade de (e) torna verdade a sentença (f) é apenas provável, mas não necessariamente verdadeiro. A noção de pressuposição vai além do conteúdo informacional da sentença, está relacionada às condições de uso determinadas pelo discurso. Pode-se dizer que uma informação é pressuposta quando ela se mantém mesmo que seja negada. Por exemplo, se alguém disser que o aparelho parou de falhar depois que foi levado ao conserto, concluímos que o aparelho falhava antes, e se dissermos que o aparelho não parou de falhar mesmo depois de levado ao conserto, também concluímos que ele falhava antes.

A pressuposição está, pois, ligada às estratégias de orientação argumentativa no discurso. Assim, por meio do que o falante seleciona como pressuposto e o apresenta, pode direcionar a argumentação manifestada no texto.