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Jussiape conserva 6,14% da sua vegetação original da Mata Atlântica, segundo monitoramento

Vegetação da Chapada Diamantina (BA) Foto: Will Assunção/JUP

A Fundação SOS Mata Atlântica disponibiliza informações de forma interativa sobre a situação dos 3.429 municípios abrangidos pela Lei da Mata Atlântica.

O site Aqui Tem Mata oferece uma busca personalizada, por meio de mapas interativos e gráficos, sobre o estado de conservação de florestas, mangues e restingas do bioma, permitindo que os dados estejam acessíveis a qualquer usuário e possam ser reutilizados com finalidades de educação e defesa da proteção da floresta.

Lançado em 2015 pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Brasília, o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica traz os dados mais recentes sobre a situação de cidades do Estado da Bahia. O estudo contou com a execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan e apresenta ainda um panorama consolidado dos últimos 14 anos.

Os municípios do Estado com números mais expressivos de desflorestamento entre 2000 e 2014 são Cândido Sales (5.676 ha), Encruzilhada (5.035 ha) e Vitória da Conquista (4.610 ha). Atualmente, a Mata Atlântica é a floresta mais ameaçada do Brasil, com apenas 12,5% da área original preservada.

O ranking de desmatamento do Atlas dos Municípios, com dados de 3.429 cidades brasileiras, é encabeçado pela cidade piauiense de Eliseu Martins, que teve supressão vegetal de 4.287 hectares (ha) no período entre 2013 e 2014. Por outro lado, outras duas cidades desse Estado, Tamboril do Piauí e Guaribas, lideram a lista das cidades mais conservadas, com 96% da vegetação natural. No recorte do período 2000-2014, a cidade campeã de desmatamento no Brasil é Jequitinhonha, no Estado de Minas Gerais, com 8.708 hectares desmatados.

Jussiape, no extremo sul da Chapada Diamantina, que possui uma área de 58.519 ha. e uma população estimada em 7.239 hab., segundo dados de 2016, não há registros de desmatamento acima de três ha., de acordo com a página Aqui Tem Mata, no período entre 2000 e 2016.

Vegetação de Jussiape, na Chapada Diamantina (BA) Foto: Gulliver Aguiar/JUP

Localizado nas bacias hidrográficas do Paraguaçu e Contas, o município possui uma área de 3.593 ha de Mata Atlântica, o que equivale a 193 campos de futebol e representa 6,14 % da vegetação original.

Os dados são originados do Atlas da Mata Atlântica, monitoramento que gera relatórios anuais sobre o estado de conservação da floresta. Dados adicionais, relatórios técnicos, mapas, estatísticas e arquivos vetoriais (shapefile) podem ser obtidos no servidor de mapas.

A fonte das informações sobre bacias é a base de dados das bacias de nível três da Agência Nacional das Águas (ANA), uma cartografia oficial do país.

Com informações atualizadas do Atlas da Mata Atlântica, produzido anualmente pela ONG em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o site também mostra onde estão as áreas protegidas de cada município, incluindo parques e reservas federais, estaduais e municipais. Além das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs), desde que tenham pelo menos três hectares de área contínua bem preservada. A ferramenta está disponível na internet e pode ser acessada em várias plataformas, como tablets e celulares.

“A SOS Mata Atlântica disponibiliza também o Aqui tem Mata, com objetivo de tornar mais acessíveis os dados e o histórico das cidades abrangidas pelo Mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica. A partir de uma ferramenta de fácil visualização, qualquer pessoa poderá saber como seu município tem conservado o bioma mais ameaçado do Brasil. Ampliar o conhecimento sobre o assunto e torná-lo mais próximo do dia a dia é uma forma eficiente de incentivar a participação de todos na proteção do que resta de Mata Atlântica no país”, afirmou, à época do lançamento do projeto, Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

A página exibe também a situação da vegetação natural do município (florestas nativas) e também os refúgios, várzeas, campos de altitude, mangues, restingas e dunas, com base em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8.

“A possibilidade de o cidadão comum poder acompanhar a dinâmica da cobertura florestal do município onde reside é, sem dúvida, a materialização de uma intenção que tivemos no passado”, afirmou, à época, Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do Atlas da Mata Atlântica pelo INPE.

PLANOS MUNICIPAIS DA MATA ATLÂNTICA
Um dos instrumentos mais eficientes para que os municípios façam a sua parte na proteção da floresta mais ameaçada do Brasil é o Plano Municipal da Mata Atlântica, que reúne e normatiza os elementos necessários à proteção, conservação, recuperação e uso sustentável da Mata Atlântica.

Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, reforça que o plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município.

“Os Planos Municipais da Mata Atlântica materializam as leis do bioma Mata Atlântica. Com novas competências de gestão ambiental, o PMMA é importante para desenvolver políticas de meio ambiente localizadas, pois é uma legislação que pactua com a própria comunidade local e a sociedade, diferentemente das demais leis do país”, afirma Mario.

SOS MATA ATLÂNTICA
A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG brasileira que atua há 29 anos na proteção da floresta considerada a mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros.

Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir.

Saiba como você pode ajudar pelo site do projeto SOS Mata Atlântica.