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Cobertura ideológica dos fatos foi um erro do passado

EDITORIAL

O nosso mea culpa

Em uma decisão interna, a agência de notícias Jussi Up Press reconheceu que a cobertura dos fatos, em especial a cobertura da editoria política, entre os anos 2012 e 2014, foi baseada em um erro ideológico. Prestes a completar dez anos, em 2020, a Jussi Up decidiu, então, que seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. Um editorial com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado na página home do site da agência.

A decisão de tornar público o nosso reconhecimento veio dos nossos próprios esforços de produzir jornalismo diário de excelência. A partir de 2015, a Jussi Up optou por abandar o perfil ideológico, ainda que reconheça que qualquer atividade jornalística é permeada por ideologia e sem ela é impossível produção de qualquer conteúdo intelectual, e adotou uma postura pluralista acerca do que é factual.

A Jussi Up reafirma incondicional apego aos valores democráticos e ao jornalismo de qualidade, ao expor que a agência de notícias cometeu, por meio do viés ideológico, o erro de omitir fatos acerca dos acontecimentos do município.

A lembrança é sempre um incômodo para a agência, mas não há como refutá-la. É História. A Jussi Up, de fato, à época, concordou com a cobertura limitada das pautas necessárias ao entendimento do contexto. Naqueles instantes, justificava a postura da agência pelo temor de um governo autocrático, que poderia ser instalado no município.

A divisão ideológica em Jussiape, entre os que se posicionavam contra ou a favor do prefeito Procópio Alencar, e mais tarde possuiriam visões distintas da tragédia de 24 de Novembro, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada canto do município. Em Jussiape, a polarização se transformou a partir de outros vieses ideológicos naqueles anos seguintes após a tragédia.

O desenrolar dos fatos, em 2012, é conhecido. Houve eleições com campanhas baseadas em slogan que promovia mensagens de paz, e outros que atacavam vorazmente setores da imprensa e a personagens da política daquele momento. No entanto, reconhecemos outros pontos controversos da própria História.

O prefeito eleito Procópio Alencar foi morto em um atentado, que deixou mais dois mortos e outras vítimas, e, então, veio as duas posses consecutivas de Gilberto Freitas; a primeira como presidente da Câmara e a segunda, como vice do prefeito Procópio Alencar, eleito pelo voto, mas assassinado antes mesmo de ser empossado.

Na cobertura dos fatos, a Jussi Up destacou a sua crença de que o apoio incondicional ao governo vigente fora imprescindível para a manutenção da paz e da ordem com base em preceitos democráticos. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao governo seguinte, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila.

Havia conflitos em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a glória de um governo, em tese, pacífico e democrático, esquecendo-se de que a democracia é feita de ideias muitas vezes contrárias e permanentes debates.

No entanto, em todas as encruzilhadas institucionais pelas quais passou o ditame da agência, a Jussi Up sempre esteve ao lado da legalidade.

Decidimos, então, reparar o nosso erro e continuar fazendo o melhor jornalismo em Jussiape. Pois, no dia em que esta agência se assustar, vacilar ou dobrar-se às exigências do poder estará deixando de ser um produtor de jornalismo de excelência. Isto vai demorar. Ou nunca poderá chegar a acontecer.

A Jussi Up assume plenamente todas as suas convicções. Por esta razão se legitima como representante do Quarto Poder. Contudo também está habituada a enfrentar o rancor, a brutalidade e a intolerância – mas segue defendo plenamente o que há de mais democrático na sociedade, incluindo, portanto, o direito à liberdade de expressão e ao acesso à informação, fundamental no desenvolvimento da cidadania.