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Uma abordagem foucaultiana sobre discurso

COLUNAS TORTAS
COM INTERTÍTULOS DE WILL ASSUNÇÃO

A noção foucaultiana do discurso afirma que “o discurso é uma representação culturalmente construída pela realidade, não uma cópia exata (...)”. No entanto, há grandes críticas sobre essa teoria social – o quanto se nega a realidade material, se ela não permite agência, se algo precede ao discurso etc.
O discurso constrói o conhecimento, portanto, regula por meio da produção de categorias de conhecimentos e conjuntos de textos o que é possível de ser falado e o que não é (como as regras concedidas de inclusão e/ou exclusão). Assim ele (re)produz poder e conhecimento simultaneamente.

O discurso define o sujeito, moldando e posicionando quem ele é e o que ele é capaz de fazer. O poder circula pela sociedade e, ao mesmo tempo hierarquizado, não é simplesmente um fenômeno que vai de cima para baixo.

É possível examinar regimes de poder por meio da desconstrução histórica de sistemas ou regimes como geradores de opiniões, significados e como discurso. Isso faz com que possamos ver como e por que algumas categorias do pensamento e linhas de argumentação se tornam, geralmente, verdades enquanto outras maneiras de pensar, ser e agir são marginalizadas.

Segundo Foucault, o discurso não é um tipo de ente metafísico, constituído a priori dos outros elementos da sociedade, no entanto, há uma precedência: um discurso não está sozinho na história e segue as relações já postas pelos saberes e pelas instituições já estabelecidas, que lhe dão uma determinada positividade. Essa positividade desempenha o papel de um a priori histórico.

Mas o que é discurso? Ele é justamente o conjunto de enunciados, sob uma dada formação discursiva, praticados ao longo do tempo. A formação discursiva é a regularidade existente na dispersão do conjunto de enunciados estudados (caso não encontre um sistema, uma regularidade na dispersão dos enunciados, então, não há um discurso).

Essa regularidade, por sua vez, é feita por regras. As chamamos de regras de formação, pois são as orientações que os enunciados se enquadram para pertencer a uma dada formação discursiva (e ao discurso, consequentemente). A análise do discurso foucaultiana trata o discurso sempre sob uma prática discursiva, sempre em sua realidade, no fato dos enunciados ditos, não na possibilidade abstrata de um enunciado se realizar.

5 PERGUNTAS NECESSÁRIAS PARA ENTENDER O QUE É DISCURSO
Transformar essa forma de compreensão de o que é discurso em método para ser aplicada em análises textuais significa fazer perguntas como:

O que está sendo representado aqui como verdade e como norma?
Como isso é construído? Quais evidências são usadas? O que foi deixado de fora? O que está em primeiro plano e o que está em segundo plano? Quais interesses estão sendo mobilizados e quais não estão? Como isso tem se manifestado? Quais identidades, ações, práticas são possíveis ou desejáveis, ou requeridas por esse modo de pensar/falar/compreender? O que é proibido? O que é normalizado e o que se torna patológico?