Header Ads

LightBlog

Um verão para recordar

EDITORIAL

Barragem Duas Ilhas Foto: Will Assunção/JUP

Só quem já tem mais de 20 anos sabe que o verão sempre foi sinônimo de boas chuvas no Nordeste, tendo o verde como cor predominante na vegetação em toda a região. Já tivemos, sim, que conviver com secas prolongadas, mas, via de regra, o verão sempre foi uma época do ano em que todos nós do interior do Nordeste ficávamos excitados para poder tomar banho de chuva, ver o mato florescer e arrancar umbu no pé.

Em Jussiape, não podia ser diferente: nós prezamos pela alegria de testemunhar o Rio das Contas transbordar suas margens e nos deparar com a felicidade de ver o volume abundante da água engolir a represa, formando um espetáculo protagonizado pela ação do homem e da natureza.

Há alguns anos, a seca voltou. Desta vez, ela castigou a lavoura, vegetação, animais, população e deixou um rastro de estragos por onde passou. As histórias de suas mazelas são as mais tristes de se ouvir. Desde o final de 2010 até o fim de 2013, a coisa ficou feia. A represa não mais transbordava, seja por falta de chuva ou pela irrigação irregular. Os tons vibrantes de verde haviam sumido completamente dos morros, plantações inteiras foram perdidas e a fome se alastrava por vários Estados do país. A esperança havia minguado e levado aquelas imagens de um bucolismo palpável para um lugar muito distante da realidade.



Então, no fim de 2013, as previsões meteorológicas começaram a trazer um bom presságio. A chuva custaria a vir, mas, depois de muito calor, ela desabaria com graça por dias seguidos. Várias cidades da Bahia, agora, viam o que não acontecia há um bom tempo. Ela caía cheia de graça do céu. Os temporais vieram comedidos e muita gente aproveitou para celebrar tomando banho de açude.



Quem vê esta foto acima, hoje, no ano de 2018, sabe muito bem do que estou falando. Não apenas sabe como sente. É um anseio de todos nós que no verão de 2018/2019 possamos passar tardes inteiras cultuando a beleza da queda d’água na barragem Duas Ilhas, sentir o frescor da brisa e apreciar a chuva cair calma ao som da prece de agradecimento. Impossível um tema tão presente e importante como este não ganhar atenção da Jussi Up. E é exatamente por isso que fizemos questão de dedicar a um tempo mágico como o verão um editorial, mesmo que ainda estejamos em setembro. E chego a pensar que, para o fim do ano, possa não haver melhor presente de Natal do que aquele que cai do céu.

Grande abraço
Will Assunção
Diretor de conteúdo