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Em sessão polêmica, advogado questiona vereadores e prefeito; Câmara rebate

Advogado Clovis Almeida da Silva Foto: Will Assunção/JUP

O advogado Clovis Almeida da Silva, representante do sindicato, que informou ser dirigente sindical, presidente de sindicato e federação e diretor de confederação, ao iniciar sua fala, na última sexta-feira (21), na Câmara, tratando da contratação de funcionários pelo município, alertou para contratos de forma irregular.

O advogado afirmou que o terço de férias e quinquênio são garantias positivadas na Constituição Federal, e que, segundo o representante do sindicato, “a vedação e o não pagamento implica na cassação do gestor”.

Ao direcionar a fala aos parlamentares, o advogado disse que “o gestor público municipal está sob o crivo dos vereadores”. O emissário do sindicato reiterou sua colocação ao afirmar que eles “foram eleitos pelo povo para fiscalizar a administração pública, e não para concordar com a administração pública”.

“Vocês não foram eleitos para defender o prefeito, vocês foram eleitos para defender o povo”, completou antes de direcionar seu discurso ao Executivo.

“Normalmente as pessoas vão às urnas e votam em um vereador, em um prefeito, em uma prefeita [...] fomos às urnas para votar em um prefeito, e, de fato, quem mandava era a sua esposa. Ela poderia exercer cargo de confiança, mas não poderia está com o chicote na mão dando ordem”, alegou.

Antes de falar sobre a primeira-dama, o advogado havia dito que já tinha visto de tudo, “mas, aqui neste município, eu vi uma aberração jurídica que nunca tinha visto antes”.

“Aqui outras coisas também são estranhas”, pontuou o advogado ao questionar o fato de que a responsável pela fiscalização, por meio da Diretoria Regional de Saúde (Dires), que fechou o hospital momentaneamente por conta das irregularidades, atualmente dirige a Casa de Saúde Ana Medrado Luz. “Como pode a raposa cuidar das galinhas?”, indagou sobre a gestão do hospital de Jussiape.

No entanto, o advogado afirmou que irá denunciar o caso.

Ainda sobre os direitos dos servidores, o representante do sindicato alegou que as dívidas provenientes dos diretos trabalhistas não pertencem “aquele ex-gestor”, mas quem deve aos trabalhadores “é o município de Jussiape”.

O representante do sindicato mencionou ainda, em plenária, a possibilidade da realização de “um ato público na porta da Prefeitura, em uma das melhores praças, para que a população [...] para o povo tomar conhecimento do que está errado”.

O advogado disse ainda que “ambas as Casas não estão andando em bons caminhos”.

“Não tememos nem prefeito, nem vereador, muito menos a polícia, porque a polícia deve nos dar segurança legal, amparada pela própria Constituição”, reforçou.

CÂMARA

O vereador José Roberto (MDB) afirmou já ter dito em plenária que “esta Casa, aqui, não é séria, e se fosse uma Casa séria teria dado uma resposta a este gestor”.

O emedebista disse que o prefeito cometeu improbidade administrativa ao negar direitos trabalhistas aos servidores públicos de Jussiape.

José Roberto declarou também que a Câmara não gosta quando ele fala que “quem manda no município é a primeira-dama”.

O opositor ao governo Eder na Câmara ainda questionou a legalidade do cargo ocupado pela responsável pela direção da Casa de Saúde Ana Medrado Luz, Ivone Maria Marques, a qual, segundo o vereador, já possui, em Brumado, um cargo público pelo Estado, o que, de acordo com o emedebista, se torna incompatível com a atual situação empregatícia da administradora do hospital de Jussiape.

Ainda ao tratar da luta dos servidores por direitos trabalhistas, o vereador afirmou que “o Diabo só vai à pessoa fraca; à pessoa que é forte de espírito Ele não vai, não [...]. Esse é o prefeito, como o Diabo, que só vai à pessoa fraca”, completou.

Ainda durante a sua fala, o vereador interpelou a vereadora Vanusa Medrado (PRP) para se empenhar na luta dos servidores do município pelos direitos trabalhistas.

“A minha principal [razão para] saída do governo Eder é porque ele não é um homem de palavra”, alegou José Roberto.

Em seguida, o vereador Jadiel Mendes (PSD) disse que, em sua opinião, o advogado representante do sindicato Cosme Aguiar veio à sessão atacar a Câmara. “Todos nós nunca deixamos de atender os servidores nessa Casa”, disse.

E reiterou ao defender a integridade da Câmara ao dizer que “essa Casa é muito séria”. A defesa de Mendes ao Legislativo continuou com a sua fala, ao dizer que “quando o vereador é eleito pelo povo, esta Câmara se torna séria”.

Para Mendes, “os vereadores não têm culpa do que está acontecendo”, disse ao se referir às cobranças dos servidores do município ao Executivo.

Ainda sobre a polêmica envolvendo a primeira-dama Hilda Rejane, o vereador, que compõe a base do governo Eder na Câmara, disse que “Jussiape tem prefeito; quem quiser cobrar vai cobrar do prefeito”.

Mendes disse também “que o vereador é muito injustiçado em Jussiape”.

A vereadora Vanusa Medrado, ao falar em plenária sobre o pronunciamento do advogado que representa os servidores de Jussiape, afirmou ter ficado “triste e indignada”, e lembrou que passou a ser rotina na Câmara o debate entre ela e o vereador José Roberto. Ela ainda disse que consegue vê o emedebista “em uma zona de conforto” ao utilizar a “tribuna para nos atingir”.

“Eu serei sempre o povo”, disse a parlamentar ao explicar que se sente “à vontade de ir até o prefeito quando houver qualquer necessidade”. E esclarece que “como situação, quando houver necessidade de defender o gestor, irei sempre me posicionar”.

A vereadora disse também que o advogado foi à Câmara com “um discurso armado”. Vanusa Medrado questionou também o que chamou de “morosidade” do sindicato o qual faz parte, informou.

Vanusa Medrado reitera que, apesar de formar a base do atual prefeito de Jussiape, votou favorável às contas do ex-prefeito Gilberto Freitas, “mesmo sabendo que, talvez, não fosse a vontade do prefeito – não estou falando por ele”, pontuou.

“Votei com firmeza nas contas do ex-gestor porque eu sou uma pessoa leal”, disse ao se referir à votação da Câmara que julgou as contas do ex-prefeito Bel.

A vereadora explorou, durante sua fala, o quanto o pragmatismo político impera em discursos na Câmara ao dizer que “o mesmo [Bel] era criticado por quem hoje o elogia”. Ainda sobre elogios tecidos por vereadores ao ex-gestor Bel, ela afirmou que é como “bater com uma mão e alisar com a outra”.

O vereador Raul de Cássio (PDT) questionou o advogado sobre o que ele entende “do município de Jussiape a respeito do povo. [...] quais os quatro cantos do município de Jussiape que ele conhece e quais as casas que ele adentra?”.

Em uma fala muito simbólica do pedetista, ele disse que enquanto o advogado estava falando em plenária, o telefone dele tocou diversas vezes. “Isso é o quê? É para me dar um beijinho, é para me dar um abraço? Sim. Mas também para resolver algum problema”, disse.

E completou ao afirmar que “dar beijinho com a boca dos outros é a coisa mais fácil do mundo. Como se diz: ‘o amor é lindo. A falsidade é que mata’”, concluiu.

Após a vereadora Joacira Marques (PRP) afirmar que na língua portuguesa a palavra possui vários significados, o vereador José Roberto explicou que “quando eu digo ‘séria’ é no sentido de não tomar providência”.

O emedebista afirmou que não vai dar satisfação a vereador.

O vereador José Roberto trouxe ainda ao plenário da Câmara de Vereadores de Jussiape o episódio da cassação, por quebra de decoro parlamentar, do ex-prefeito Vagner Neves Freitas, em 2010.

“Ele pode ter os defeitos dele, mas o senhor Vagner Freitas foi cassado nessa tribuna, aqui, porque não atendeu pedido de vereador”, afirmou o emedebista.

“Não estou defendendo a forma dele ser ou até a forma dele destratar vereador”, explicou José Roberto, no entanto, o emedebista disse que a cassação de Vagner Freitas foi “quase vulgar”.

“Ele foi cassado porque não atendeu aos interesses que esse município sempre tem”, concluiu o vereador José Roberto.

Em resposta às declarações de José Roberto, o vereador Jadiel Mendes afirmou que o emedebista, como vereador, tem que dá satisfação ao vereador. “Quando Vossa Excelência atinge um colega, Vossa Excelência tem que dar satisfação, porque o que eu estou vendo aqui é uma falta de respeito de Vossa Excelência”, disse Mendes.

A ordem foi interpelada pelo presidente da Casa após os ânimos dos vereadores se exaltarem em plenária.

O vereador Edilando Brandão (MDB) afirmou que a verba em Jussiape “a cada dia aumenta, e que não é preciso cassar o prefeito”. Na fala do emedebista, a cobrança que a população deve ter com os vereadores ficou evidenciada quando ele afirmou que “vereador pressionado cobra de prefeito”.

“Eu sinto muito em dizer, mas todo mundo sabe que votamos em uma prefeita”, afirmou Brandão ao apontar para uma servidora e dizer que conhece uma vítima da perseguição da primeira-dama. “Ela não pôde nem expor os sentimentos dela”, alegou.

“Há um tipo de ditadura”, pontuou Edilando Brandão.

O vereador ainda reiterou que está disposto a protestar junto aos servidores públicos em frente à Prefeitura, e que entrou com uma representação na Justiça sobre o caso da administradora da Casa de Saúde Ana Medrado Luz.

Brandão ainda aproveitou a sua fala para responder ao questionamento do vereador Raul de Cássio sobre o advogado não conhecer os quatro cantos do município. “Eder também não conhece a cidade porque ele não é de Jussiape. Está vindo à cidade agora porque é ano eleitoral”, defendeu Brandão.

Já no fim da sessão, o presidente da Câmara de Vereadores, Jadiel Caravalho (MDB), pediu ao advogado Clovis Almeida da Silva que se fizesse mais presente na Casa para trabalhar pelos servidores públicos.

Em resposta ao pronunciamento do vereador José Roberto, o presidente da Câmara disse que “tem um colega que já umas três vezes fala que a Câmara de Vereadores não é séria. Eu acho, gente, que a Câmara de Vereadores não é séria mesmo, não. Essa pessoa que fala que a Câmara de Vereadores não é séria é a pessoa que mais bate nos vereadores, que não tem respeito pelos vereadores, porque se tivesse respeito com o vereador, a Câmara seria séria. Ele é quem está fazendo a Câmara não ser séria”, disse.

Jadiel Carvalho afirmou que “quando eu vi umas fotos na internet de tanta gente com o ex-gestor Bel, eu senti vergonha”, ao se referir à reunião com os deputados Marcos Viana (PV) e José Rocha (PR). O emedebista disse também que “se o prefeito apoiar Bel, no nosso grupo, eu estou fora, porque Bel foi o homem que mais bateu no povo de Jussiape”. O vereador pontuou também que Bel ficou sem pagar o décimo terceiro salário aos servidores públicos no município.