Header Ads

LightBlog

Colocação pronominal: Próclise, mesóclise e ênclise


Dá-se o nome de colocação pronominal ao emprego adequado dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. O emprego desses pronomes é sempre observado em relação ao verbo. Dessa forma, os pronomes oblíquos átonos podem estar nas seguintes posições: próclise, mesóclise e ênclise.

PRÓCLISE
Próclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos antes do verbo. Usa-se a próclise quando houver palavras atrativas; são elas:

Palavras de sentido negativo.
Ela nem se incomodou com meus problemas.

Advérbios.
Aqui se tem sossego, para trabalhar.

Pronomes Indefinidos.
Alguém me telefonou?

Pronomes Interrogativos.
Que me acontecerá agora?

Pronomes Relativos
A pessoa que me telefonou não se identificou.

Pronomes Demonstrativos Neutros.
Isso me comoveu deveras.

Conjunções Subordinativas.
Escrevia os nomes, conforme me lembrava deles.

Outros usos da PRÓCLISE:

1) Em frases exclamativas e/ou optativas (que exprimem desejo):

Exemplo:
Quantas injúrias se cometeram naquele caso!
Deus te abençoe, meu amigo!

2) Em frases com preposição em + verbo no gerúndio:

Exemplo:
Em se tratando de gastronomia, a Itália é ótima.
Em se estudando Literatura, não se esqueça de Carlos Drummond de Andrade.

Em frases com preposição + infinitivo flexionado:

Exemplo:
Ao nos posicionarmos a favor dela, ganhamos alguns inimigos.
Ao se referirem a mim, fizeram-no com respeito.

4) Havendo duas palavras atrativas, tanto o pronome poderá ficar após as duas palavras, quanto entre elas.

Exemplo:
Se me não ama mais, diga-me.
Se não me ama mais, diga-me.

Deve-se colocar o pronome átono antes do verbo, quando antes dele houver uma palavra pertencente a um dos seguintes grupos:

A) palavras ou expressões negativas:

Exemplos:
Não me deixe sozinho esta noite!
Nunca se recuse ajudar a quem precise.
Nem nos conte porque você fez isso.
Nenhum deles me prestou a informação correta.
Ninguém lhe deve nada.

De modo algum (em hipótese alguma) nos esqueceremos disso.

B) pronomes relativos:

Exemplos:
O livro que me emprestaste é muito bom.
Este é o senhor de quem lhe contei a vida.
Esta é a casa da qual vos falei.
O ministro, cujo filho lhe causou tantos problemas, está aqui.
Aquela rua, onde me assaltaram, foi melhor iluminada.
Pagarei hoje tudo quanto lhe devo.

C) pronomes indefinidos:

Exemplos:
Alguém me disse que você vai viajar.
Quem lhe disse essas bobagens?
Dos vários candidatos entrevistados, alguns (diversos) nos pareceram bastante.
Entre os dez pares de sapato, qualquer um me serve para ir à festa ao sábado.
Quem quer que me traga uma flor, conquistará meu coração.

D) conjunções subordinativas:

Exemplos:
Deixarei você sair, quando me disser a verdade.
Posso ajudar-te na obra, se me levares contigo.
Faça todo esse trabalho, como lhe ensinei.
Entramos no palácio, porque nos deram permissão.
Fiquem em nossa casa, enquanto vos pareça agradável.
Continuo a gostar de ti, embora me magoasse muito.
Confiei neles, logo que os conheci.

E) advérbios:

Exemplos:
Talvez nos seja fácil fazer esta tarefa.
Ontem os vi no cinema.
Aqui me agrada estar todos os dias.
Agora vos contarei um conto de fadas.
Pouco a pouco te revelarei o mistério.
De vez em quando me pego falando sozinho.
De súbito nos assustamos com os tiros.

Exemplos:
“Tudo faço para não a perturbar naqueles dias difíceis”.
“Tudo faço para não perturbá-la…”.

MESÓCLISE
Mesóclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos no meio do verbo. Usa-se mesóclise quando houver verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, sem que haja palavra atrativa alguma. O pronome oblíquo átono será colocado entre o infinitivo e as terminações ei, ás, á, emos, eis, ão, para o futuro do presente, e as terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam, para o futuro do pretérito.

Por exemplo, o verbo queixar-se ficará conjugado da seguinte maneira:

Futuro do presente/futuro do pretérito
queixar-me-ei /queixar-me-ia
queixar-te-ás /queixar-te-ias
queixar-se-á/queixar-se-ia
queixar-nos-emos/queixar-nos-íamos
queixar-vos-eis/queixar-vos-íeis
queixar-se-ão/queixar-se-iam

Para se conjugar qualquer outro verbo pronominal, basta-lhe trocar o infinitivo.

Por exemplo, retira-se queixar e coloca-se zangar, arrepender, suicidar, mantendo os mesmos pronomes desinências: zangar-me-ei, zangar-te-ás etc.

Lembre-se de que, quando o verbo for transitivo direto terminado em R, S ou Z e à frente surgir os pronomes O(s) ou A(s), as terminações desaparecerão.

Exemplo:

Vou cantar a música
Vou cantá-la.

O mesmo ocorrerá na formação da mesóclise:
Cantarei a música
Cantá-la-ei.

Relembrando os pronomes oblíquos átonos (POAs): o, a, os, as (que viram -lo, -la, -los, -las diante de verbos terminados em -r, -s e-z ou viram -no, -na, -nos, -nas diante de verbos terminados em ditongo nasal (exceto os verbos no futuro do indicativo).

Comprei uma casa (Comprei-a)
Vou comprar uma casa (Vou comprá-la)

Eles compraram uma casa (Eles compraram-na)
Eles comprarão a casa (Eles comprarão-na (INADEQUADO))

Você vai entender por que está INADEQUADA esta última forma na parte 2;

Além desses, há:

me, te, se, nos, vos, lhe (s)

Relembrados os POAs, vamos às regras:

Próclise é o nome que se dá à colocação pronominal antes do verbo.

Após pausa (vírgula, ponto-e-vírgula…), usa-se ênclise:
Não; esqueça-se de mim!

Informação que cabe para qualquer caso de próclise: ignora-se a expressão intercalada, colocando o POA antes do verbo, pois seu antecedente ainda é o pronome ‘quem’: Mesmo quem, diante de situações precárias, se encontra calmo, padece.

Muitos gramáticos chamam de ‘palavras atrativas’ os termos que antecedem um verbo, os quais implicam a realização da próclise.

Os verbos DIZER, TRAZER E FAZER, conjugados no futuro do presente e no futuro do pretérito, adquirem as formas direi, dirás, traria, faríamos, por exemplo.

Na formação da mesóclise, ocorre o mesmo:
Direi a verdade
Di-la-ei

Farão o trabalho
Fá-lo-ão

Traríamos as apostilas
Trá-las-íamos.

Se o verbo não estiver no início da frase e estiver conjugado no futuro do presente ou no futuro do pretérito, no Brasil, tanto poderemos usar próclise, quanto mesóclise.

Eu me queixarei de você
Eu queixar-me-ei de você.

Os alunos se esforçarão
Os alunos esforçar-se-ão.

Emprego do pronome átono em locuções verbais perfeitas e em tempos compostos: são locuções verbais perfeitas aquelas formadas de um verbo auxiliar modal (QUERER, DEVER, SABER, PODER, ou TER DE, HAVER DE), seguido de um verbo principal no infinitivo impessoal. Neste caso, o pronome átono pode ser colocado antes ou depois do primeiro verbo, ou ainda depois do infinitivo.

Exemplos:
Nós lhe devemos dizer a verdade.
Nós devemos lhe dizer a verdade.
Nós devemos dizer-lhe a verdade.

No entanto, se no caso acima mencionado as locuções verbais vierem precedidas de palavra ou expressão que exija a próclise, só duas posições serão possíveis para empregar-se o pronome átono: antes do auxiliar ou depois do infinitivo.

Exemplos:

Não lhe devemos dizer a verdade.
Não devemos dizer-lhe a verdade.

Tempos compostos
Nos tempos compostos, formados de um verbo auxiliar (TER ou HAVER) mais um verbo principal no particípio, o pronome átono se liga ao verbo auxiliar, nunca ao particípio.

Exemplos:
Tinha-me envolvido sem querer com aquela garota.
Nós nos havíamos assustado com o trovão.
O advogado não lhe tinha dito a verdade.

Quando houver qualquer fator de próclise, esta será a única posição possível do pronome átono na frase, ou seja, antes do verbo auxiliar.

ÊNCLISE
Ênclise é a colocação dos pronomes oblíquos átonos depois do verbo.

Usa-se a ênclise, principalmente nos seguintes casos:

1) Quando o verbo iniciar a oração.

Trouxe-me as propostas já assinadas.
Arrependi-me do que fiz a ela.

2) Com o verbo no imperativo afirmativo.

Por favor, traga-me as propostas já assinadas.
Arrependa-se, pecador!

Se o verbo não estiver no início da frase e não estiver conjugado no futuro do presente ou no futuro do pretérito, no Brasil, tanto poderemos usar próclise, quanto ênclise.

Exemplo:
Eu me queixei de você
Eu queixei-me de você.

Os alunos se esforçaram
Os alunos esforçaram-se.

Emprego de “eu e tu”/“ti e mim”

Os pronomes “eu” e “tu” só podem figurar como sujeito de uma oração. Assim, não podem vir precedidos de preposição funcionando como complemento. Para exercer esta função, deve-se empregar as formas “mim” e “ti”.

Exemplos:
Nunca houve brigas entre eu e ela. (errado)
Nunca houve brigas entre mim e ela. (certo)

Todas as dívidas entre eu e tu foram sanadas. (errado)
Todas as dívidas entre mim e ti foram sanadas. (certo)

Observação: Os pronomes “eu” e “tu”, no entanto, podem aparecer como sujeito de um verbo no infinitivo, embora precedidos de preposição.

Exemplos:
Não vais sem eu mandar.
Dei o dinheiro para tu comprares o carro.
Esta regra é para eu não esquecer.

As formas verbais do infinitivo impessoal (precedido ou não da preposição “a”), do gerúndio e do imperativo afirmativo pedem a ênclise pronominal.

Exemplos:
Urge obedecer-se às leis.
Obrigou-me a dizer-lhe tudo.
Bete pediu licença, afastando-se do grupo.
Aqueles livros raros? Compra-os imediatamente!

Se o gerúndio vier precedido da preposição “em”, deve-se empregar a próclise.
Exemplo: “Nesta terra, em se plantando, tudo dá”.

Não se inicia um período pelo pronome átono nem a oração principal precedida de pausa, assim como as orações coordenadas assindéticas, isto é, sem conjunções.

Exemplos:
Me contaram sua aventura em Salvador. (errado)
Contaram-me sua aventura em Salvador. (certo)

Permanecendo aqui, se corre o risco de ser assaltado. (errado)
Permanecendo aqui, corre-se o risco de ser assaltado. (certo)

Segui-o pela rua, o chamei, lhe pedi que parasse. (errado)
Segui-o pela rua, chamei-o, pedi-lhe que parasse. (certo)

A ênclise não pode ser empregada com verbos no futuro e no particípio passado.