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Conheça o caminho dos romeiros que visitam anualmente o santuário de Bom Jesus da Lapa, na Bahia

TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 2013

Torre em Bom Jesus da Lapa Foto: Will Assunção/JUP

O visor do celular marcava 4h38, e o carro já me esperava em frente ao ponto onde algumas pessoas se juntariam a mim para viajar até a cidade de Bom Jesus da Lapa, no Vale do São Francisco, no oeste baiano. De Jussiape, o marco zero da jornada, até o santuário, destino final, somam-se 322 km. Se alguém pretender sair da capital baiana, o percurso é de 784 km. A distância percorrida é mais do que o dobro que a Jussi Up percorreu para escrever esta reportagem.

O cerrado, bioma predominante da região, oferece um charme à cidade de mais de 66 mil habitantes e reúne, em distintas épocas do ano, milhares de romeiros de todos os lugares. É gente que não acaba mais. Isso porque em Bom Jesus da Lapa fica localizada uma gruta que foi transformada em um santuário e atrai milhares de turistas anualmente em romarias. O turismo religioso na cidade fortaleceu o comércio, contribuiu para a economia local gerando empregos fixos e temporários, além de aumentar a renda do município substancialmente.

A origem do nome da cidade nasce na gruta Lapa do Morro, onde a imagem de Cristo, chamado também de Bom Jesus, foi colocada por portugueses no século 17. O morro tem quase 100 metros e abriga mais de seis grutas calcárias.
Galeria 1 Bom Jesus da Lapa

A cidade se transformou, então, na Meca baiana quando o português Francisco Mendonça Mar, no ano de 1681 teria chegado ao local após realizar uma via crucis na caatinga, carregando uma imagem de Jesus Cristo crucificado até o morro. O ato chamou atenção de pessoas que buscavam por milagres e se espalhou pelos quatros cantos do mundo. Hoje, peregrinos e romeiros fazem promessas diante da imagem do Bom Jesus da Lapa, instalada na gruta à espera de curas e graças divinas.

No mês de agosto, uma procissão percorre as ruas do centro histórico nos arredores da gruta. As principais festas são realizadas em julho (com a Romaria da Terra e das Águas), a setembro (com a festa de Nossa Senhora da Soledade). Considerado pela Igreja Católica como o terceiro maior ponto de peregrinação religiosa do Brasil, o santuário de Bom Jesus da Lapa perde apenas para o de Nossa Senhora Aparecida (SP) e o de Juazeiro do Norte (CE).

O período de maior visitação é entre os meses de agosto e novembro, quando o município recebe até 1,5 milhão de visitantes, segundo dados oficiais da Prefeitura Municipal de Bom Jesus da Lapa. O que não falta por lá são os meios de hospedagem, bares e restaurantes, que ficam espalhados pelo centro da cidade. É possível ver uma avenida repleta de hotéis em meio a barracas, onde podem ser comprados suvenires de todos os tipos. De fitinhas com nome de santos a camisa com a imagem do filho de Deus crucificado. É uma infinidade de lembranças do local.

A primeira vista que você provavelmente terá é de uma torre construída em frente à gruta. Ela simboliza a religiosidade cristã católica. Na parte mais alta da torre, uma cruz, símbolo de aproximação entre o Homem (terra) e Deus (céu). Ao entrar no santuário, diversas imagens espalhadas por salões místicos podem ser visitados. Além de ouvir um grupo cantando e tocando reis com instrumentos que vão do violino ao pandeiro. Por dia, diversas missas são celebradas e o fiel pode levar o nome de algum enfermo para ser citado durante as preces.
Galeria 2 Bom Jesus da Lapa

Mas, para quem prefere o outro lado da viagem, na Lapa, podem ser encontradas outras opções de turismo. Já que o Rio São Francisco passa pela região, centenas de pessoas de deslocam para tomar banho de rio, curtir a paisagem ou atravessar de charrete, de um lado para o outro, na estiagem do Velho Chico. Isso porque na outra margem, um aglomerado de barezinhos se concentra para receber visitantes que procuram por sombra e água fresca ao lado de uma ponte de 1.400 metros. Apenas a título de informação sobre o seu tamanho, ela é 14 vezes maior do que a ponte de Jussiape sobre o Rio das Contas.

O clima semiárido, que ostenta uma temperatura que pode chegar tranquilamente a 38º C, serve de alerta para quem pretende conhecer o percurso que os romeiros fazem todos os anos. É bom sempre ter em mãos uma garrafinha com água mineral, protetor solar e óculo de sol, além de estratégias para caso alguém se perder do grupo durante o passeio. E algo que você não pode esquecer nunca: leve sua máquina fotográfica.