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Pressuposto e subentendido


Existem duas categorias de conteúdo implícito, comumente utilizadas nas situações de comunicação do nosso cotidiano: os pressupostos e os subentendidos. Ambos exigem conhecimento e o reconhecimento de alguns índices no texto, que auxiliam na tarefa de interpretação de alguns tipos de informação.

Pressuposto refere-se às ideias expressas de maneira explícita.

Observe o exemplo apresentado:

André tornou-se um antitabagista convicto.

É possível pressupor que André deixou de fumar, por intermédio do verbo “tornar-se”, que significa “vir a ser”. Como dito anteriormente, há palavras e expressões no enunciado que indicam um sentido, construído por uma informação pressuposta.

É fundamental detectar os pressupostos, pois eles são um recurso argumentativo que visa conduzir o leitor a aceitar certas ideias, pois a ideia implícita não está em discussão, apresentada como se fosse aceita por todos, e a explícita apenas contribui para confirmá-la.

Em muitos textos políticos, temos demonstração dessas “verdades” incontestáveis: “Para que o Brasil se torne um país do primeiro mundo será preciso privatizar as empresas estatais, abrir a economia ao ingresso de produtos estrangeiros e terminar com os direitos trabalhistas que oneram a folha de pagamento e a Previdência Social”. (Exemplo dado por Platão e Fiorin).

O conteúdo explícito dessa frase é:

O ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá a privatização das empresas estatais;

O ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá a abertura da economia aos produtos estrangeiros;

O ingresso do Brasil no primeiro mundo exigirá o término dos direitos trabalhistas.

O conteúdo implícito dessa frase é:
O Brasil vai ingressar no grupo de países do primeiro mundo, se preencher as condições;

No Brasil as empresas e o Estado são onerados pelos direitos trabalhistas.

Confirmamos os pressupostos se arrolarmos os seguintes argumentos contra o que é dito explicitamente:

Existem países do primeiro mundo que se desenvolveram com base num setor estatal muito forte, que ainda é mantido;

Há países do primeiro mundo, como o Japão, que mantêm uma economia muito protegida da concorrência externa;

Na maioria dos países do primeiro mundo, os trabalhadores têm mais direitos que no Brasil, e as empresas e o Estado, mais encargos com os trabalhadores.

No entanto, destruímos as ideias dadas como verdadeiras, se dissermos:

O Brasil não ingressará no primeiro mundo, mesmo que privatize o setor estatal, abra a economia e acabe com os direitos trabalhistas, porque isso depende de outros fatores;

Encargos trabalhistas não são ônus, mas meio de manter a mão de obra viva.

O subentendido, por sua vez, não vem marcado por expressões linguísticas; é um processo de construção de sentido que se organiza a partir da percepção do ouvinte/leitor. O falante pode negar a interpretação de seu ouvinte/receptor. O subentendido é um recurso utilizado em situações de comunicação, nas quais o sujeito não quer se comprometer com o que disse.

Existem, portanto, produções textuais que só fazem sentido se o leitor tiver a habilidade e os conhecimentos necessários para desvendar a sua mensagem. As piadas são gêneros textuais desse tipo. Várias vezes, em uma roda de amigos, a graça de uma piada é motivo de chacota para aqueles que “viajaram”, sem encontrar nenhum sentido na mensagem. O problema provavelmente é não encontrar as informações implícitas.