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Max Weber e a busca das conexões de sentido

Foto: Reprodução

Max Weber (1864-1920) nasceu em Erfurt, na Alemanha. Em 1882, iniciou seus estudos universitários na Universidade de Heidelberg, onde se concentrou nas áreas de direito, história, economia, filosofia e teologia.

Em 1889, conquistou o título de doutor em direito, com tese sobre a história das empresas comerciais medievais. Em 1891, Weber iniciou a carreira de professor universitário em Berlim e, em 1896, tornou-se professor catedrático da Universidade de Heidelberg. Em 1903, fundou a revista Arquivos de ciência social e política social, importante publicação da época. O estudioso morreu em Munique, em 1920, e coube a sua esposa, Marianne Weber, organizar seus escritos.

Algumas das principais obras de Max Weber são:
A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905);
Ciência e política: duas vocações (1919);
Economia e sociedade (1922).

Uma das principais preocupações de Weber era compreender a racionalidade, pois o capitalismo levou a uma crescente racionalização da sociedade e conduziu à mecanização das relações humanas.

Sua preocupação central era entender a maneira como a razão podia apreender o conhecimento, pois os acontecimentos são compreendidos não pela sua concretude, mas pela maneira como são interiorizados pelos seres humanos. Desse modo, é preciso entender a ação dos indivíduos, suas intenções e motivações.

A forma de Weber olhar a sociedade ficou conhecida como sociologia compreensiva, pois o teórico procurou interpretá-la a partir da apreensão do sentido que os indivíduos dão a suas ações.

Esses preceitos não significam que as análises de Max Weber se voltam para o indivíduo, pois esse é o objeto de estudo da psicologia. A sociologia busca compreender as relações entre os indivíduos em sociedade e esse é somente o ponto de partida para se chegar ao todo.

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO
Como estudioso do sentido das ações sociais, Max Weber identificou que o surgimento do capitalismo foi impulsionado através dos valores difundidos pela ética dos protestantes calvinistas. O teórico buscou examinar as implicações das orientações religiosas na conduta econômica dos indivíduos e, com suas pesquisas, constatou que, para algumas seitas protestantes puritanas, o êxito econômico era um indício da bênção de Deus. Para os calvinistas, a salvação estava vinculada à glorificação de Deus através do trabalho.

A partir de dados estatísticos que mostravam a proeminência de adeptos da Reforma entre os grandes homens de negócio, Weber procurou estabelecer as conexões entre a doutrina protestante e o desenvolvimento do capitalismo. O estudioso concluiu que valores como disciplina, poupança, austeridade e propensão ao trabalho foram fundamentais para o desenvolvimento do capitalismo e, portanto, era possível estabelecer uma relação entre religião e sociedade na medida em que a primeira deu e dá aos indivíduos um conjunto de valores que são transformados em motivos de ação.

A motivação protestante para o trabalho era encará-lo como uma vocação, como um fim absoluto em si mesmo, e não como um meio de ganho material. Ao buscar sair-se bem na profissão, mostrando sua própria virtude e vocação e renunciando aos prazeres materiais, o protestante puritano se adequaria facilmente ao mercado de trabalho.

Ao analisar os valores do catolicismo e do protestantismo, Weber concluiu que os valores protestantes revelaram a tendência ao racionalismo econômico que até os dias de hoje predomina no capitalismo.