Header Ads

LightBlog

Émile Durkheim e o pensamento positivista

Foto: Reprodução

Émile Durkheim (1858-1917) deu continuidade ao trabalho iniciado por Augusto Comte. O positivismo é uma corrente de pensamento que surgiu no século 19 na Europa e foi fortemente influenciada pela crescente valorização da ciência como fonte de obtenção da verdade. O positivismo se inspirou no método de investigação das ciências da natureza, tendo a biologia como principal referência.

Para essa corrente de pensamento, a sociedade era passível de compreensão e o homem possuía uma natureza social. As pesquisas sobre o funcionamento do corpo humano conduziram os positivistas a pensar a sociedade como um grande organismo social, constituído de partes integradas e coesas que deveriam funcionar harmonicamente. Assim, seria preciso conhecer sua anatomia e descobrir as causas de suas doenças.

Outra forte influência do pensamento positivista foi o darwinismo social, uma crença de que as sociedades mudariam e evoluiriam num mesmo sentido. Émile Durkheim nasceu em 1858 em Epinal, na França. Em 1879, ingressou na Escola Normal Superior. Em 1887, foi nomeado professor de pedagogia e ciências sociais na Faculdade de Letras da Universidade de Bordeaux. Em 1902, transferiu-se para a Sorbonne, onde se tornou professor titular de sociologia em 1913. 

Ele foi o pensador francês que deu à sociologia o status de disciplina acadêmica. Durkheim viveu em uma época de grandes crises econômicas e sociais que causavam desemprego e miséria entre os trabalhadores.

Algumas de suas obras:
Da divisão do trabalho social (1893);
Regras do método sociológico (1895);
O suicídio (1897);
Sociedade e trabalho (1907);
As formas elementares de vida religiosa (1912).

Durkheim viveu em uma época onde uma série de inovações sociais propiciadas pelo avanço científico e tecnológico ocorreu e, dentre elas, destacam-se a invenção e o início da utilização em grande escala da energia elétrica e a invenção de automóveis.

Apesar do otimismo com as inovações, as frequentes ondas de suicídio eram analisadas por Durkheim como indício de que a sociedade encontrava-se incapaz de exercer controle sobre o comportamento de seus membros. Para Durkheim, os suicídio não era um fenômeno individual, mas estaria ligado ao que ocorria no âmbito social.

O estudioso identificou em sua obra três categorias de suicídio:

Altruísta: ocorre quando o indivíduo valoriza mais a sociedade do que a ele mesmo. Exemplo: terroristas suicidas em vários locais do mundo.

Egoísta: a falta de redes de convívio e o isolamento social conduzem a pessoa a uma frustração que pode culminar no suicídio.

Anômico: as instituições sociais como a família, a igreja e a escola deixam de funcionar e os laços de solidariedade entre os indivíduos perdem a eficácia, o que os deixa viver de forma desregrada. Podemos exemplificar com a crise nas instituições familiares, que conduz seus membros ao abandono.

Por conceber a sociedade como um grande corpo humano em que cada parte possui uma função específica, Durkheim concebia que as instituições como a família, a igreja e o Estado tinham de desempenhar seus papéis.

Quando uma instituição falha, ela contamina todo o corpo social, provocando algo que o teórico chamou de anomia social, ou seja, uma sociedade doente. Durkheim acreditava que os problemas de sua época não eram de natureza econômica, mas de natureza moral, pois as regras de conduta não estavam funcionando. Ele via a necessidade de criação de novos hábitos e comportamentos no homem moderno, com vistas ao bom funcionamento da sociedade.