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Conceitos do conhecimento fonético e fonológico


Quantos sons foram pronunciados para formar a palavra casa? Distinguimos /k/, /a/, /z/, /a/, ou seja, quatro sons, chamados também fonemas.

Nascer e crescer em uma comunidade linguística implica:
- ouvir e entender a língua da comunidade;
- falar a mesma língua da comunidade;
- preparar o nosso físico (corpo) para produzir os fonemas da língua da comunidade.

Significa que, ao pronunciar casa, o organismo está preparado para ouvir e falar os fonemas /k,a,z,a/ com facilidade e sem estranheza. Assim, pronuncie, em voz alta, brasileiro, festa, atraso. Não houve também problema quanto à pronúncia, porque os sons saíram com facilidade da cavidade bucal. Quando pronunciamos um fonema, parte de nossos órgãos (aparelho fonador) entra em funcionamento.

Como bem dizem Massini-Cagliari e Cagliari: para falar, uma pessoa usa mais da metade do corpo: do abdômen até a cabeça. Os linguistas não sabem ao certo onde fica o centro processador da linguagem, mas, tradicionalmente, atribui-se ao cérebro ou à alma. A verdade é que, antes de abrir a boca para falar, uma pessoa necessita planejar o que vai dizer e enviar comandos neuromusculares para que sua fala se realize. Como a linguagem é um composto de ideias e de sons, é preciso organizar
as ideias e os sons que irão carrear essas ideias.

Sem consciência do fato, desde os primeiros meses de vida, passamos a utilizar os órgãos do aparelho fonador para pronunciar determinados sons da língua da comunidade. Assim, abrimos a boca para pronunciar os fonemas vogais.

Em relação aos fonemas consonantais, o nosso aparelho fonador entra em cena de forma diferenciada. Todo e qualquer som consonantal não sai da boca como sai o som vogal. Pronuncie: /b/. Os lábios se encontram para a formação deste fonema, criando um obstáculo para a corrente de ar.



O modo de articulação da consoante pode ser:

Oclusivo: o som é produzido com bloqueio total à corrente de ar em algum ponto do aparelho fonador. Ex.: /p/, /g/, /d/.

Nasal: som produzido com bloqueio à corrente de ar na cavidade oral, com concomitante abaixamento do véu palatino, permitindo a saída da corrente de ar pelas
narinas. Ex.: /m/, /n/, /nh/.

Fricativo: o som é produzido com estreitamento em qualquer parte do aparelho fonador de tal modo que o ar produza fricção. Ex.: /f/, /v/, /s/, /j/.

Lateral: o som bloqueia a passagem central da corrente de ar na parte anterior da cavidade oral, permitindo um escape lateral. Ex.: /l/, /lh/.

Os fonemas consonantais são produzidos pelos lugares de articulação:

Bilabial: som produzido com um estreitamento ou fechamento pela aproximação dos lábios. Fonemas: /p, b, m/.

Labiodental: som produzido com o contato do lábio superior com dos dentes incisivos superiores. Fonemas: /f, v/.

Dental: é o som produzido com a ponta da língua entre os dentes incisivos superiores e inferiores ou com a ponta da língua contra a parte posterior dos dentes incisivos superiores. Fonemas: /t, d, n, r (mar), r (caro), l/.

Alveolar: é o som produzido com a parte da frente da língua em direção aos alvéolos dos dentes incisivos superiores. Fonemas: /s, z, r (carro)/.

Palatal: som produzido com a parte central da língua contra a parte central (mais alta) da abóbada palatina, indo até o fundo do palato duro. Fonemas: /nh, lh/.

Velar: som produzido com o dorso da língua contra o palato mole. Fonemas: /k, g, x/.

Além do preparo que fazemos com o nosso aparelho fonador para a produção dos sons específicos da língua portuguesa, quando falamos, juntamos os sons das palavras.

Os fonemas de uma língua são organizados em sílaba, cuja estrutura básica nas línguas do mundo é CV: consoante seguida de vogal. Na estrutura, as vogais tornam-se o centro da sílaba. No caso da língua portuguesa, não existe sílaba sem vogal, por isso aqueles agrupamentos de sons mudos (sem vogal) associam-se à sílaba anterior.

Os tipos de sílabas em língua portuguesa são:
a) a. cor. do ---------------- V. CVC. CV
b) pers. pec. ti. va -------- CVCC. CVC. CV. CV
c) prá. ti. co ---------------- CCV. CV. CV
d) a. gru. par --------------- V. CCV. CVC

Obviamente, a escrita ortográfica não acompanha esse conhecimento fonético/fonológico que possuímos. Outra sabedoria nossa é distinguir os fatos da fala e os fatos da escrita. Outro aspecto da sílaba – além da juntura – é o acento. A escrita não tem sílaba tônica ou átona; isso só ocorre na fala.

Para a gramática tradicional, o artigo a é átono e o verbo é tônico; no entanto, foneticamente, essa distinção não é possível, uma vez que as pronunciamos da mesma
maneira.

Cagliari nos dá um exemplo ótimo de como acentuação ocorre na fala, colocando em negrito o destaque que damos na fala para as sílabas:

a) Ele não comprou um carro novo.
b) Ele não comprou um carro novo.
c) Ele não comprou um carro novo.

Assim, conforme nossa intenção ao falar, destacamos as sílabas, acentuando-as. Tal destaque difere o sentido da frase. Entre outros sentidos, percebemos que:

a frase a) pode ser resposta para a pergunta: “O que ele não comprou?”
a frase b) pode ser resposta para a pergunta: “O que ele não fez?”
a frase c) pode ser resposta para a pergunta: “Quantos carros novos ele não comprou?”

O acento, por fim, tem função de distinguir palavras como sábia, sabia e sabiá e destacar as sílabas segundo as intenções do falante.

Os textos literários, publicitários, letras de músicas, mitos, lendas, contos e tantos outros textos lúdicos recorrem aos processos da linguagem que aproveitam e valorizam as sonoridades do sistema fonológico, como a aliteração, assonância, homeoteleuto e a rima.  Nós somos leitores ou ouvintes de textos poéticos e reconhecemos nesses o trabalho com os fonemas.

Enfim, o conhecimento linguístico relacionado à fonética/fonologia significa ter o aparelho fonador preparado para pronunciar os fonemas típicos da língua. Além disso, significa também preparar nosso aparelho auditivo para identificar e reconhecer determinado som como pertencente à nossa língua.

Conhecimento linguístico fonético/fonológico torna a pessoa capaz de ouvir/entender e produzir textos orais, sejam eles a conversação, piada, palestra, letra de música etc., desde textos mais informais, do dia a dia, até mais formais, em situações específicas (como palestras); textos mais práticos (conversação) até textos mais lúdicos (mitos, letras de música).

FONÉTICA X FONOLOGIA



A fonética estuda os sons presentes na fala, em seus aspectos acústicos e fisiológicos, enquanto a fonologia estuda os padrões de som em linguagens específicas. Ambos são ramos da ciência que estudam a sonoridade.

FONÉTICA
A fonética envolve o uso de medidas acústicas, em particular espectrogramas ou medidas articuladoras, para caracterizar os sons emitidos pelos humanos durante a fala.

Por exemplo, quando alguém pronuncia a palavra "dieta", a fonética irá analisar a forma como a consoante /d/ será pronunciada: /dj/.

Ou seja, esse estudo analisa a forma como as vogais e consoantes são pronunciadas.

A fonética é o estudo da acústica e fisiologia da produção, percepção e sons da fala. Ela analisa os sons em sua realização concreta, na forma como as consoantes e vogais são pronunciadas.

O som da fala, o som produzido pelos humanos.

Analisa a substância de expressão.

FONOLOGIA
A fonologia envolve a tentativa de formalizar, de forma gramática, os padrões de som, assim como explicar e entender como as gramáticas podem diferir entre os idiomas.

A fonologia estuda a maneira como os sons se organizam em uma linguagem. Também estuda a estrutura silábica, os acentos e entonações.

A fonologia é o estudo dos fonemas, os padrões de som de uma linguagem.

O som de uma linguagem, o fonema.

Analisa a forma de expressão.

A transcrição fonética
A transcrição fonética é o método formalizado de transcrever os sons das diferentes línguas, e se aproxima da maneira padrão como determinado fonema deve ser pronunciado.