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As ruínas de dez anos do Orkut


Já faz algum tempo que venho pensando como anda as ruínas da rede social que chegou a ser a mais popular do país – reunindo 40 milhões de usuários ativos em 2008 – e uma das mais utilizadas no planeta. Dez anos depois, em 2014, é questionável o cenário de escombros acompanhado da pergunta de como anda tudo por lá: as criativas comunidades que reuniam milhões de membros e que agora estão quase que totalmente abandonadas, um verdadeiro cemitério de perfis de usuários que nem se quer se lembram da sua existência. Além de fóruns desatualizados e comportamentos criados na própria rede, mas que logo foram deixados para trás por uma leva de internautas.

Naquele tempo, todo mundo pensava em deixar um scrap para algum amigo próximo, ou para aquele que não via fazia já algum tempo, se retratando pela ausência no dia a dia, ou mesmo pela falta de tempo em poder marcar uma saidinha para o fim de semana. Ser fã de seus contatos mais interessantes e escrever um emocionante depoimento para alguém que considerasse importante, sem mencionar o fato da ansiedade para ver o nome de quem visitou o seu perfil escrito logo acima dos aniversariantes do mês, era considerado o máximo. Mas ficou no passado, esquecido como um comportamento na internet que não importa mais.

Especialistas apontam a publicidade indesejada como o principal fator para a queda do Orkut. Elas colonizavam as página de recados, além das centenas de spans que invadiam a rede mais querida dos brasucas. “A maioria das mensagens que chegavam era com a intenção de vender algo, além de a rede social ser invadida por spans a todo o momento”, dizem especialistas.

No horizonte brilhava, para todos aqueles que já estavam cansados das falhas permitidas pela rede social do Google, a promessa de uma nova proposta de se interagir com os amigos pela internet, eis que chegava a era Facebook. A nova página em evidência pelos antigos usuários do Orkut servia para conhecer pessoas de outros países, já adeptos a rede social de Zuckerberg. Já que o Orkut era a sede dos brasileiros.

A diferença era que o Face, como foi batizado aqui no Brasil, oferecia um layout mais arrojado e cobrava a confirmação de identidade do usuário, prometendo mais segurança a quem se cadastrasse. Era mais seguro ter uma conta na nova rede social em ascensão no Brasil, além de ter se tornado um espaço na internet mais restrito. O Orkut já estava “poluído” demais.

No entanto, o Orkut ainda sobrevive com cerca de 6 milhões de usuários na ativa. É que ele ainda se mantém por algumas peculiaridades que não existem no projeto de Mark e que fazem muitos usuários se manterem fiéis ao grande anel rosa. Uma delas são os fóruns que ajudam e discutem temas que vão desde a vida de grandes personagens da História, como o rei Sol Luís 14, a dicas de game e moda, e que interessa a muita gente.

Apesar do abandono, ele ainda se mantém como uma das maiores redes sociais do Brasil, acredite, a frente do Twitter. Mesmo com a invenção do Google Plus, o substituto do Orkut, os brasileiros não se mostraram interessados pela nova criação do Google e a popularização da nova rede não vingou, como o seu ancestral fez no passado.

Comunidades do Orkut reuniam milhões de membros

SAUDOSISMO COR DE ROSA E AZUL-BEBÊ
Ainda hoje, há quem prefira o Orkut pelo simples fato dele funcionar perfeitamente como uma rede de gente conhecida. Lá, era como uma verdadeira roda de amigos, e dava para fazer novas amizades, marcar para sair e até mesmo paquerar. No Facebook, tudo é muito frívolo, nem mesmo ferramentas como a cutucada, utilizada como sinal de paquera, funciona direito. “Além de a timeline ser um verdadeiro muro das lamentações, de ser uma passarela de ostentação pós-moderna”, pontua um especialista.

Enquanto você passa dez minutos atualizando sua linha do tempo a procura de algo minimamente interessante, há dez anos atrás, os usuários da rede azul-bebê passavam horas intermináveis nas comunidades discutindo assuntos que variavam, por exemplo, em chegar ao consenso de qual era o astro do de rock mais sexy do mundo ao filme mais indie já feito naquela década. Era uma verdadeira feira cultural virtual.

Os anos se passaram e foram surgindo outras tendências que deram lugar a outros comportamentos na internet. A necessidade da quantidade de posts aumentou e fez com que a rede criasse páginas para anunciantes e marcas promoverem seus negócios. As pessoas estavam mais interessadas em se promoverem na rede do que em se corresponder diretamente com seus antigos amigos. Havia chegado o tempo do celular com capacidade para navegar na internet de forma mais prática, permitindo postar conteúdos como fotos e vídeos diretamente dos aparelhos, sem mencionar a febre dos selfies, que dominava o universo dos adolescentes e de como tudo ficou mais instantâneo nesse começo da década de 2010.

Não se sabe quanto tempo de vida ainda tem o Orkut, nem mesmo o Google, seu dono, parece está interessado na resposta, uma vez que nunca se pronunciou sobre o que fará com um amontoado de dados de um tempo onde o barato mesmo era ter um buddy poke.

2016 FOI O FIM DEFINITIVO
Quando o Google decidiu encerrar as atividades do Orkut depois de manter o site por dez anos no ar, ele não apagou de vez o banco de dados da rede social que representa um capítulo importante da cultura da web no Brasil.

Em vez disso, para que as pessoas pudessem reler seus scraps, conferir suas antigas listas de contatos e matar a saudade de comunidades épicas “Odeio acordar cedo”, a empresa criou algumas ferramentas para que os usuários pudessem salvar em seus computadores as informações e fotos publicadas em seu perfil do Orkut, no entanto, houve prazo para fazer o back up, que foi encerrado em 2016.

A extinta rede social do Google ficou no ar por pouco mais de dez anos, de janeiro de 2004 a setembro de 2014, quando foi encerrada oficialmente.