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Cleonice dos Santos


Cleo, Cleonice. Menina de praia. Menina vivida. Menina rendeira. Cleonice. De temperamento forte e de corpo torto. Caduca. Mas, acima de tudo, desequilibrada. Maníaca. Delirante.

Escapou-se o raciocínio!

_Lá vem Cleonice!, grita o feirante camelô.

_Cuidado! Ela quebra tudo, derruba barraca. Fora que é tetêta! Doidinha! Lá vem Cleo dos Santos; quebra pote, com um pote na cabeça.

_ Revolta, desequilíbrio e um punhado de raiva é o que ela guarda em si, insiste Raimundo.

De frente para uma barraca, ela bate em dois homens e sai. Sai cravando os dentes. Grita por Ave-Maria, Exu e Buda. Morde um acarajé com tanta força que parece não existir nada entre as mandíbulas. É puro vão de ódio.

_Mais vatapá!, grita, chutando a barraca da baiana.

_Anda mula velha, disse Cleonice.

Seu Ludimilo diz baixinho para a baiana:

_Cuidado!, ela é desequilibrada, tetêta, consoante. Já chutou vários potes d’água na casa de dona Mirandinha, disse o homem aterrado com um medo que tomava o seu semblante.

_Ô!, seu velho bosta, o quê que você está falando de mim? Cala essa boca gradeada de pelo branco antes que eu quebre um pote na sua cabeça, jumento pardo, disse Cleonice.

Seu Ludimilo sai de fininho, olhando de lado e desconfiado. Cleonice saiu de camisola desfilando pela orla com a cara amarrada. Disse que nunca mais iria voltar. E nunca mais voltou.