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Blog existencialista ‘Impressões de Uma Vida’ completa dez anos e revela maturidade literária do autor

O projeto literário existencialista do editor Will Assunção completou dez anos em 2016. O blog Impressões de Uma Vida, que surgiu com o nome de Universo Paralelo, nasceu no final de 2005 e início de 2006, quando o autor ainda era estudante em Salvador e estava prestes a ingressar na universidade. Recém-saído da adolescência, cercado de crises existenciais e com faro jornalístico apurado, Will viveu o surgimento da era dos blogs, o que o tornou popular entre o leitoreinternauta da época.

Suas primeiras publicações eram de cunho jornalístico, mas pouco tempo depois aderiu à verve literária e poética. Para comemorar o aniversário de uma década, o blog Impressões de Uma Vida, que foi incorporado à Jussi Up e ao Ilustríssimo, ganhou em 2016 um novo layout desenvolvido pelo designer Helder Azevedo.

Em entrevista ao Ilustríssimo, coletivo o qual integra como editor, o autor diz não temer verdades delicadas expressas em filtro poético e expostas no projeto. Assunção também defende que a transparência pode ser o melhor caminho para a felicidade. Mas a opacidade é inerente à vida. Leia a entrevista abaixo:

Ilustríssimo – O blog surgiu como uma página na internet com uma proposta voltada ao jornalismo cotidiano. O que fez você aderir à verve literária pouco tempo depois do lançamento do Universo Paralelo?

Will- Eu senti uma necessidade poética de me expressar, de expurgar, rever e compartilhar todos os sentimentos que eu mantinha dentro de mim naquele momento. E a prosa foi o melhor caminho que eu encontrei para fazer isso.

Ilustríssimo – São dez anos de impressões sobre a vida. Qual delas o surpreendeu mais durante esse tempo?

Will- De que a vida é sorrateiramente engraçada, dramática e inevitável.

Ilustríssimo – Em boa parte dos seus textos, você fala sobre como nós humanos enfrentamos a liquidez do nosso tempo e lidamos com as efemérides que nos acomete durante a vida. Mas há também muitos textos voltados ao amor, seja ele romantizado ou não, além do amor fraterno. São eles temas recorrentes na sua via?

Will – Sim, eu não conseguiria escrever sobre algo que não vivi ou conheci de perto. Como eu já havia dito há algum tempo, eu não sei distinguir amor romântico do amor fraterno, e, talvez, seja por isso é que eu pretendo me casar com alguém que esteja entre o ciclo dos meus melhores amigos.

Foto: Gulliver Ribeiro/Ilustríssimo

Ilustríssimo – Antes mesmo de aceitar ser entrevistado pelo Ilustríssimo, veículo o qual é editor, você havia dito à Redação que não vetaria nenhuma pergunta. Aparentemente você perdeu o medo de falar sobre certos tabus que o assombrava.

Will – O que posso dizer é que eu estou muito mais maduro do que há cinco, dez anos, e posso lidar com temas difíceis da vida com menos dificuldade.

Ilustríssimo – São Paulo aparentemente tem lhe atraído, haja vista você optou por passar um tempo na capital apesar de nunca ter deixado oficialmente Florianópolis, além de ter sempre mantido contato com amigos da Ilha da Magia. A escolha tem a ver com seus novos projetos?

Will – Sem sombras de dúvida. O meu novo projeto tem muito a ver com São Paulo e Floripa. No entanto, eu não me surpreenderia se dividisse São Paulo com outras cidades do Brasil e do mundo afora.

Ilustríssimo – Há alguém inspirando seus textos sobre amor nos últimos tempos?

Will – Além das mesmas pessoas? Não.

Foto: Gulliver Ribeiro/Ilustríssimo

Ilustríssimo – Quem acompanhou o Impressões de Uma Vida desde o seu início percebeu o quanto seus textos apresentam um Will completamente volátil, passando de alguém que defende as leis da metafísica a uma personagem dramática; ora cético, ora otimista. Essas constantes mudanças possuem relação direta com suas últimas experiências ou com o que você vem entendendo sobre a vida?

Will – Eu poderia dizer que tudo o que eu escrevo é fruto de uma mixórdia orquestrada de todas as minhas experiências com a essência da minha natureza. Há, com toda certeza, um lado cético nos meus textos, mas há também passagens místicas que se unem à fantasia. Sempre há vestígios da metafísica nas minhas histórias, além de eu já ter me apresentado como alguém intenso, dramático e romântico incorrigível.

Ilustríssimo – Quem são as suas referências que te inspiram no momento de escrever?

Will – Entre os autores que eu mais admiro estão Tolkien, Woody Allen e Machado de Assis, entre tantos que não conseguiria listar agora; há muita gente boa escrevendo neste momento e que eu já tive o prazer de ler, mas citei alguns que verdadeiramente me encantam. Eu sou uma pessoa muito musical, sabe? Vivo de trilhas sonoras, e não poderia deixar de citar nomes além de bandas e grupos que me inspiraram profundamente no instante de conceber qualquer criação para o blog, como todo o movimento da Bossa Nova, Los Hermanos, The Strokes, Red Hot Chilli Peppers, além de tantas outras canções avulsas que me conduziram no momento criativo.

Foto: Gulliver Ribeiro/Ilustríssimo

Ilustríssimo – Já se passaram dez anos desde a publicação do seu primeiro texto, descrevendo suas impressões sobre sua própria existência, sejam elas relacionadas ao amor, amizade, “dores de estimação”, termo comum a sua escrita, e momentos indescritíveis de felicidade. Você deixou de ser um adolescente perdido entre uma crise existencial e outra e se tornou um jovem adulto que exala ceticismo. Depois de quase uma década você ainda se sente perseguido por esses fantasmas existencialistas do qual você escrevia no início de tudo? O que mudou de lá para cá?

Will – Eles deixaram de ser fantasmas e passaram a fazer parte das minhas lembranças, sejam elas boas ou ruins. O que seria de mim sem minhas próprias memórias? Um corpo oco sem uma mente, não é mesmo? Talvez eu leve para sempre todos esses “males necessários”. É uma marca minha, elas devem me acompanhar eternamente. Se eu já estivesse “curado” com certeza não veria necessidade e beleza em escrever mais para o meu blog. É observando as coisas do passado que fizeram parte da nossa vida que percebemos o quanto já vivemos ou estamos velhos – diz em tom jocoso. Todos nós temos nossas dores de estimação, como eu costumo dizer. Talvez eu seja um pouco melancólico por natureza. O que possa ter mudado com o tempo é a forma que eu leio a vida. A fantasia nunca é a mesma.

Ilustríssimo – Se lhe fosse dada a oportunidade de dizer algo a alguém em especial no mundo, há qualquer pessoa, o que você diria e a quem?

Will – Eu acredito na teoria da corda, no destino, então eu deixaria a cargo dele me colocar diante deste alguém em questão. Apesar de acreditar que muitas vezes a sabedoria se esconde atrás do silêncio.

Ilustríssimo – Uma frase e uma personagem.

Will – “Nós apenas temos que viver da melhor forma no tempo que nos foi dado”. Gandalf, personagem de mitologia tolkeniana.

Foto: Gulliver Ribeiro/Ilustríssimo