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Sobre noites insólitas [6]


Banco. Era branco. Era branco e de madeira. Um simples banco no meio do jardim de uma praça central servia-me para observar como a vida cursava e quem estava comigo naquela caminhada. Sentado ali pude encontrar uma verdade na frase que diz que os ausentes estão sempre errados. Aquele banco não era apenas um observatório, mas era um monumento a minha própria memória. E não apenas foram momentos de pura reflexão, mas de grandes momentos de êxtase.

Eu fui feliz em vários daqueles bancos. Houve momentos tristes também. Mas os que ficaram gravados eternamente em mim foram as muitas vezes em que fui provido de tamanha alegria sem fim. Manhãs, tardes e noites. Amigos, amores e gente que ia e passava por aqueles bancos brancos. O banco servia de muita coisa para todos naquele tempo: era confessionário, lugar para declarações, além de ponto de resenhas que varavam a noite.